Filipe Redondo/Divulgação
Filipe Redondo/Divulgação

Ione canta raridades de Noel

Cantora baiana relança CD em homenagem ao compositor carioca

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Em 2000, a cantora baiana Ione Papas, radicada em São Paulo, estreou em disco homenageando o compositor carioca Noel Rosa (1910-1937). Como parte das comemorações dos 100 anos do Poeta da Vila, ela relança agora o CD Noel por Ione (Dabliú Discos), e retoma uma série de shows com a apresentação de hoje no Sesc Pinheiros, dentro do projeto Salve o Compositor. De timbre delicado, miudinha, Ione cresce no palco, cheia de ginga, voz bem projetada e afinada.

Criteriosa na escolha de repertório ela já era antes de mergulhar no universo de Noel, de quem gravou pérolas esquecidas, fugindo do óbvio (leia ao lado). "É uma característica minha, de sempre buscar coisas novas, diferentes. O cara tem uma obra imensa e todo mundo só grava as mesmas coisas... Você vê aí as homenagens, os songbooks, é uma ou outra coisa que as pessoas variam", diz.

Influência de Aracy. Ione começou a carreira profissional, cantando na noite em Salvador, e conviveu com o samba de Cartola, Assis Valente, Geraldo Pereira, Pixinguinha desde criança por influência paterna. Em 1984, conhecendo o básico de Noel mais por seus intérpretes, ao pesquisar repertório para seus shows, encontrou na discoteca de um amigo um LP de Aracy de Almeida (1914-1988) cantando Noel. Foi arrebatamento imediato. "Só conhecia a Aracy como jurada de Silvio Santos", lembra.

A partir daí Aracy virou referência de intérprete para ela. "Enlouqueci, foi tudo de uma vez só. Fiquei impressionada com a interpretação dela, com as músicas de Noel que eu não conhecia, com os arranjos." Nessa época ela procurava fazer show em teatro, fugindo do feijão com arroz de barzinho (Caetano Veloso, Djavan, Chico Buarque). Aí bateu Noel. "Foi muito espontâneo. A partir daí comecei a estudar a vida de Noel e fui me surpreendendo cada vez mais." Ione assume que passou a imitar Aracy até assimilar e descobrir sua forma de interpretar. "Ela tem coisas fantásticas que eu peguei. Algumas só quem conhece vai saber que eu fiz no disco exatamente a nota que ela deu", revela.

Hoje ela canta acompanhada de Paulo Ribeiro (violão), Filipe Dourado (cavaquinho), Denilson Oliveira e Samba Sam (percussão), Dico Lars Casas (trombone) e João Poleto (sax e flauta). Além do repertório do CD, ela interpreta Sabotagem no Morro (Wilson Batista/Haroldo Lobo), que nada tem que ver com a famosa polêmica entre Wilson e Noel. Mais uma inspiração que vem de Aracy de Almeida.

Áudio. Ouça trecho da faixa Quantos Beijos em nome

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