Investimento em prédio e no acervo da instituição

No último dia 29, data em que a Fundação Biblioteca Nacional completou 200 anos de existência, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou seu maior aporte já feito na área cultural - o repasse para a instituição de R$ 31,7 milhões para recuperação dos prédios e manutenção do acervo. O anúncio foi feito em evento no prédio principal da FBN, na Rua México, no centro do Rio, com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira.

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 00h00

O foco principal do investimento será o prédio anexo da FBN, localizado na Gamboa, zona portuária do Rio, e que será destinado à instalação da Hemeroteca Brasileira. O edifício receberá R$ 17,8 milhões do total repassado pelo BNDES, e abrigará acervo de periódicos que inclui cerca de 3,5 milhões de exemplares de jornais e revistas, com publicações desde o século 19.

"Estamos chegando a uma saturação de ocupação do prédio principal. Com a criação da hemeroteca, poderemos separar uma parte da coleção que está nesse prédio e abrir espaço para guardar em melhores condições o resto da coleção", disse Juca Ferreira. Com acervo de mais de 9 milhões de itens, entre livros, mapas e outros documentos, a Biblioteca Nacional recebe a cada mês 7.500 novas obras, e o prédio principal está saturado para agregar ainda mais material.

Segundo o gerente de Patrimônio Histórico e Acervos do BNDES, Eduardo Mendes, a intenção do banco foi privilegiar o anexo por ser o "patinho feio" da FBN. "Quem conhece sabe que o prédio da Gamboa tem uma aparência horrível, está muito mal localizado para que alguma empresa tenha interesse em colocar uma placa de patrocínio, mas tem uma importância estratégica para a instituição."

A sede, por sua vez, receberá R$ 6,2 milhões para reformas no telhado, de modo a acabar com goteiras - 100 anos mais jovem que a FBN, o prédio foi inaugurado em 29 de outubro de 1910, depois de cinco anos de obras. Outros R$ 4,8 milhões serão investidos na instalação de nova central de processamento de dados, e o resto do montante se dividirá entre trabalhos como a publicação de um livro de arte comemorativo do bicentenário da instituição, e a produção de uma enciclopédia de artes que sirva como instrumento de consulta em escolas e faculdades.

Digitalização. Na mesma cerimônia, foi divulgado investimento de R$ 6 milhões, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, para digitalização do acervo de periódicos, que tem em torno de 9 mil itens. Os trabalhos serão iniciados este mês, com tecnologia similar à usada pela Biblioteca do Congresso, em Washington. Muniz Sodré, presidente da FBN, ressaltou que a digitalização já vem sendo feita há alguns anos no restante do acervo, mas que há ainda poucos livros digitalizados, "algo em torno de 250". / R.C.

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