José Patricio/AE
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Investigando o poder da mentira

Para Anya Reiss, Sem Pensar trata da importância do perdão, do processo de crescimento e do risco da autodestruição

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

Em entrevista, a dramaturga Anya Reiss, hoje com 19 anos, comenta aspectos de Sem Pensar, peça que Denise Fraga estreia no Brasil.

Você se tornou a mais jovem dramaturga da história do teatro britânico. Por que começou a escrever? Quais eram as suas ambições quando criou essa sua primeira peça?

De certa forma, comecei a escrever acidentalmente. Fiz um curso de dramaturgia para adolescentes durante um feriado. E, como o professor disse que eu tinha potencial, voltei para fazer aulas para adultos. Mas não esperava nada quando comecei a fazer Spur of the Moment, era só um texto para concluir o curso, não achei que fosse algo que pudesse ir em frente.

Você já chegou a declarar que Spur of the Moment não é uma obra autobiográfica. Qual foi a sua inspiração? Você parece ter muito conhecimento sobre a vida e as desilusões dos "adultos" em alguns dos seus personagens.

Existe uma base de verdade ali.Nós tivemos um inquilino em casa quando eu era jovem, muito mais jovem do que Delilah (a protagonista da peça). Essa relação, de uma família forçada a conviver, me interessou. E a peça partiu daí. Sobre os personagens dos pais, acho que, como filha única, sempre estive muito exposta, desde cedo, à conversa dos adultos. E não só dos meus pais, mas dos amigos deles também. Nessa situação, você não se vê como a única criança na sala, mas como se fosse um deles também. Como passei a maior parte da minha tentando estar no mesmo nível dos adultos, não me pareceu difícil tentar pensar como alguém mais velho do que eu. Foi mais fácil descrever os pais do que os personagens mais jovens.

Em Spur of the Moment você mostra uma família em crise, e uma série de questões que circundam essa situação, como a falta de comunicação. Na sua opinião, quais são os temas principais da peça?

Para mim, grande parte da peça é sobre o que é verdadeiramente certo. A importância do perdão, os danos causados pela absorção em si mesmo, a autodestruição e o crescimento. Também me interessa o papel da mentira na vida cotidiana e no palco. O poder de uma mentira, para o bem e para o mal.

Seu estilo é muito particular, com uma infinidade de diálogos muito curtos. Além de mesclar sempre certa proporção de comédia com o drama. Por quê?

Os diálogos são curtos porque minha experiência é de que é assim que as pessoas tendem a falar. Se você ouvir sua própria família, ou adolescentes conversando, verá que ninguém deixa o outro realmente terminar uma frase. O que interessa é passar ao próximo tópico. Na maioria das conversas, as pessoas só estão esperando pela sua própria vez de falar. Nunca escrevo com o propósito de fazer algo engraçado. Essa é apenas a vida como ela realmente é. Acho que acredito no que Chaplin dizia: a vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.

Sua segunda peça, The Acid Test, estreia neste mês em Londres. Quais são seus temas nessa obra?

O tema central dessa nova peça é "como ser um adulto hoje", em contraste com Spur of the Moment, que fala sobre crescer. A trama mostra três mulheres jovens e um homem de meia-idade, que envelheceu no corpo e não na mente. Um caminho quase oposto ao da Delilah.

SEM PENSAR

Tuca. Rua Monte Alegre, 1.024, tel. 4003.1212. 6ª e sáb., 21h30; dom., 19 h. R$ 40/R$ 60. Até 31/7. Estreia sábado.

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