Inverno de Mareu Nitschke tem sotaque gaúcho

Gaúcho que é, Mareu Nitschke tratou de trazer a indumentária típica de sua região para o SPFW. O chiripá (saia-calça usada na região), o lenço, as casas de abelha das bombachas, o poncho, botas, correntes de arreio, guaiacas (pochetes presas aos cintos)e demais adereços serviram de inspiração para o estilista. Bem... se a idéia era olhar para todo esse léxico e tirar daí outros significados, a tradução falhou.O resultado ficou literal demais, com a simples reprodução do que se vê nos livros de história, ou até na tela da TV (hello, Casa das Sete Mulheres). A primeira fase do desfile (que, por sinal, atrasou mais de uma hora, para irritação do povo da moda) foi mais bem contada, com o jeans assumindo a forma do chiripá tanto para moças quanto para rapazes. A idéia funciona bem no black jeans com lavagem localizada, mas não convence na maior parte da coleção. Aquele cavalo lá embaixo detona a silhueta. Melhor ficar com a calça drapeada com acabamento em casinha de abelha, usada com camisa branca e cinto.Bom também as versões 2004 dos antigos ponchos. Tudo isso feito em cinza, preto e branco funcionou mais do que a difícil cartela de cores escolhida pelo estilista. Mareu disse que sua paleta foi baseada em uma exposição de Iberê Camargo, mas se nas telas a combinação de roxos e ferrugem funciona, o mesmo não acontece na passarela. Os sapatos, que viram botas, e voltam a ser sapatos, são criativos.

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