Carlo Allegri/Reuters
Carlo Allegri/Reuters

Invejável estilo de Jacobs

Um dos mais criativos estilistas americanos, ele é destaque da New York Fashion Week

Cathy Horyn, NOVA YORK, The New York Times

19 Fevereiro 2012 | 03h09

Com um cenário criado pela artista Rachel Feinstein e uma passarela que avança em direção ao público lembrando Oz, não há como desviar do talento de Marc Jacobs. Ele exige que notemos suas propostas para a moda mesmo quando estas não são especialmente fascinantes.

Como estilista de sua própria marca e também da Louis Vuitton, ele realmente está no olho do furacão; é impossível envolver-se com uma empresa de luxo mais corporativa do que a Vuitton. Ainda assim, com seu ânimo e suas parcerias com artistas, Jacobs provou que não precisa se ater a uma fórmula. Suas coleções podem ir do sexy e urbano ao caricato, e ele não precisa se preocupar em explicar a própria arbitrariedade. Foi provavelmente sábia a decisão de não aceitar o emprego oferecido pela Dior, se é que tal oferta de fato existiu.

Jacobs está numa posição invejável. Para sua mais nova coleção, criou uma mistura de texturas e padrões: um casaco estampado com um girassol sobre uma saia de couro artificial e lamê; um vestido de couro preto combinado com painéis de tweed e usado com uma saia de jacquard de estampa indiana vermelha e meias à moda antiga.

Havia também calças justas. Alguns dos casacos eram bastante decorados, apresentando rendas e peles falsas, e viu-se com frequência algum tipo de estola cobrindo os ombros, como se as mulheres sob os grandes chapéus de pele do desfile estivessem trazendo roupas limpas ou reunindo os trapos.

Who Will Buy? é uma canção maravilhosa, composta por Lionel Bart para o musical Oliver!, e Jacobs tocou três versões dela, incluindo uma na voz do Mormon Tabernacle Choir, escolhida para o grande final. Havia também aspectos maravilhosos nas imagens evocadas por ele: o cenário de filigranas brancas, o otimista pano de fundo azul, os casacos sóbrios. E, em meio aos looks mais inspiradores, estava um vestido curto de brocado vermelho com uma camisa branca e calça de cetim preto.

Mas a tempestade visual tornou difícil reparar naquilo que de fato era novo. E não ficou claro o que exatamente Jacobs queria dizer ao combinar roupas relativamente caras com aquela trilha sonora.

Não costumamos associar o estilo de Donna Karan aos chapéus, e duvido que as miniaturas cubistas de borsalinos preparados por Stephen Jones para o desfile serão vendidas com as roupas criadas por ela quando chegarem às lojas. Mas a imagem dos chapéus foi sedutora, assim como os ombros de Dietrich (não acredito, outra vez?), e comecei a imaginar as roupas dela num clube particular de Hong Kong, por exemplo, sendo usadas tanto pelos frequentadores quanto pelos funcionários. Um vestido de jérsei vermelha e mangas longas para a mulher chique de um membro. Um delicado vestido negro de Chifon metálico para a amante dele. Um terno listado com uma saia de fenda frontal para uma diplomata afeita aos cassinos. A séria camisa de smoking com saia preta para as atraentes recepcionistas. Imaginar tudo isto a partir da bela coleção de Donna Karan foi fácil e nem um pouco desagradável.

Vera Wang adora envolver os corpos em tecidos drapeados, e esta coleção incluiu estolas, uma espécie de avental africano feito de contas e algo que se parecia um pouco com a parte de cima de uma calça. Em geral as roupas apresentadas eram interessantes, mas, com exceção dos shorts para andar de bicicleta, ela parecia não saber o que fazer abaixo da cintura.

A coleção de Olivier Theyskens para a Theory apresentava muitos elementos básicos amistosos, como shorts de couro e peças tricotadas feitas do mesmo material, mas foi surpreendentemente monótona e pouco inspirada depois de sua surpreendente coleção de primavera.

 

* TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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