Invasão coreana

Super Junior se apresenta em São Paulo e põe o Brasil na rota das turnês do k-pop

TAÍS TOTI, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h15

Eles são jovens, bonitos e encantam as garotas, mesmo que elas não entendam nada do que eles estão falando. O grupo de k-pop Super Junior pode não aparecer na TV ou tocar nas rádios brasileiras, mas deve lotar o Credicard Hall no domingo, quando vem pela primeira vez ao País com a turnê Super Show 5.

Um dos principais nomes da música sul-coreana, a boy band lembra mais um 'N Sync atualizado do que o cantor Psy, que se transformou na estrela mundial do k-pop com o superhit Gangnam Style (lembra da 'dança do cavalo?'). Mas ambos os casos não fogem à fórmula do gênero oriental que se consolidou no fim dos anos 2000: a mistura de música eletrônica, rap, e uma grande dose de pop chiclete. Junte a isso coreografias sincronizadas, palavras em inglês (às vezes erradas) e performances amplamente divulgadas na internet.

Os nove integrantes do Super Junior são mais um dos produtos das fábricas de sucessos do k-pop, de onde saem até 50 novos grupos por ano, que se somam a centenas de artistas já em atividade.

O entretenimento da Coreia do Sul já invadiu massivamente países como Japão e China - a chamada onda coreana, ou Hallyu -, mas ainda não conseguiu se solidificar no Ocidente, em especial nos Estados Unidos. Essa barreira vem sendo quebrada, aos poucos, pela internet, mais especificamente pelo YouTube. Mr. Simple, a mais famosa canção do Super Junior, tem mais de 60 milhões de visualizações - fora do mundo virtual, é o grupo de k-pop que vendeu mais discos por três anos seguidos. Lançado no sábado, Gentleman, novo clipe de Psy, quebrou o recorde de visualizações em apenas um dia: foram mais de 20 milhões em 24 horas. E não dá para esquecer de Gangnam Style, que ainda mantém o posto de vídeo mais assistido do YouTube, com mais de 1,5 bilhão de visualizações. Comparado ao fenômeno, os 100 milhões de hits de Gee, do supergrupo feminino Girls' Generation, até parecem pouco. Mas o grande número de acessos às estrelas do k-pop no YouTube vindos dos Estados Unidos rendeu a elas um contrato com a Interscope, selo da Universal.

Esses vídeos também ajudam a divulgar as bandas a partir de suas danças. Essa "viralização" é um elemento importantíssimo do k-pop - basta lembrar, sim, de Psy.

A influência desses artistas, claro, chega na moda. Um bom exemplo é o rapper G-Dragon, ex-integrante do Big Bang, que virou ícone fashion e tem seus cabelos e roupas coloridos copiados. O estilista Jeremy Scott dedicou um dos tênis criados para a Adidas ao grupo feminino 2NE1, cuja integrante CL é sua amiga e musa.

A existência de tantos artistas influentes e lucrativos ganhou escala industrial. As bandas são formadas em empresas de caça-talentos como SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment, que fazem audições com crianças na faixa dos 10 anos e treinam as selecionadas para que virem ídolos da cultura pop coreana, com aulas de canto e dança.

Essas empresas são criticadas por produzir artistas pré-fabricados, pelos contratos restritivos e por controvérsias quanto ao pagamento dos cantores, que receberiam muito pouco. Casos de maus-tratos e assédio sexual já renderam processos.

O consumo rápido e lucrativo é incentivado pelos chamados miniálbuns. Com geralmente cinco músicas, esses lançamentos lucram mais do que um single, e não custam tanto quanto um disco cheio.

Mas é a apropriação dos elementos de sucesso da música ocidental, em especial dos EUA, a maior crítica - e o maior trunfo - do pop sul-coreano.

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