''Interpretar o personagem foi libertador''

"Nunca quis me identificar com esse personagem, mas a adaptação que o (Mário) Bortolotto fez para o teatro mexeu comigo." Quem fala é o próprio autor de Natimorto, Lourenço Mutarelli (foto). O ator que fazia seu papel no palco era muito parecido com ele, quase um clone. Isso deve ter fortalecido no inconsciente de Mutarelli a convicção de que ele poderia fazer, e bem, o papel do "Agente".

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2011 | 00h00

Se todo trabalho de Mutarelli busca esse estranhamento e tem vocação de cult, sua presença em Natimorto, o filme, só faz crescer o longa de estreia de Paulo Machline.

Aqui, é importante ressaltar que Mutarelli é apaixonado pela obra de David Lynch. "Há no cinema dele essa ideia do mal como essência, uma coisa que contamina os personagens, um mal etéreo. Isso virou para mim não só uma referência como uma identidade, uma identificação", ele diz. Fazer o papel foi libertador, como escrever o livro também foi. "Estava numa fase feliz, mas Natimorto reflete outra fase que havia sido ruim. Já fui bem mais louco", ele se (auto)ironiza.

Mutarelli considera fascinantes os olhares que outros criadores lançam sobre seu trabalho - o humor que Heitor Dhalia ressaltou em O Cheiro do Ralo e que Paulo Machline encobriu em Natimorto. "São leituras possíveis e eu estou em ambas." Ele teve acompanhamento de Christian Duvorsc para criar a parte física mais "hard" do Agente. Sem escolher necessariamente entre as abordagens de Dhalia e Machline, ele diz que o segundo trabalha de forma "mais vertical, acelerada". Sua expectativa é de que os fãs correspondam e corram para ver Natimorto.

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