Internet na rua: para trabalhar ou passar o tempo

Navegar não é privilégio exclusivo de quem tem computador no trabalho ou em casa. Os terminais públicos, pagos ou gratuitos, ligados à rede estão discretamente se alastrando por diversas capitais, como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (veja roteiro). E atraem tantos os viciados quanto os novatos."Conheci a Internet aqui", disse Rosa Botelho, na Biblioteca Circulante Maria Braz. Ela e o marido Sérgio Bozza, ambos administradores financeiros, tornaram-se freqüentadores assíduos dos terminais da biblioteca, pois não têm computador. Atualmente desempregados, eles aproveitam um dos nove pontos de acesso para ver as ofertas de empregos e ler jornais e revistas sem gastar nada, senão as pontinhas dos dedos.Há cerca de dois anos, de terça-feira a domingo, a biblioteca, que fica no prédio da Fiesp, um dos poucos pontos gratuitos em São Paulo, recebe diariamente cerca de 130 pessoas, que têm o direito de navegar por 40 minutos. Mas o interessado não pode acessar sites de e-mail ou pornográficos. Esse tipo de conteúdo é permitido somente nos cyberpoints, lugares como o Monkey, onde há uma quantidade maior de computadores, 24, e as pessoas podem navegar sossegadas, principalmente durante a madrugada dos fins de semana, já que a casa só fecha depois que o último cliente sai. Ou nos cybercafés, onde, além dos terminais, o internauta pode aproveitar para comer e beber.Para os apressados ou amantes do papel, há em alguns destes lugares a possibilidade de pedir o conteúdo do site impresso. "Estou fazendo uma pesquisa de cursos no exterior e, como são muitas informações, imprimo o material para levar para casa", afirma a economista Dirce Sayako, em sua visita ao Monkey. Ela vasculha os sites dos cursos de inglês e de e-mail pelo menos uma vez por semana.O preço é a partir de R$ 0,10 pela página em preto e branco e, dependendo da quantidade impressa, alguns desses locais liberam a navegação, que normalmente custa entre R$ 4,50 a R$ 9,00 a hora, sair de graça.Navegar é preciso - "Adotei-o como meu ponto de circulação", disse o Designer Gráfico Mário Vianna, durante uma breve pausa no On Speed (no shopping Villa-Lobos, em São Paulo) para "monitorar" seus e-mails. "Uma simples mensagem pode definir um projeto". Sem se prender em casa ou no trabalho, Vianna aproveita os cyberpoints quase que diariamente, já que não é muito adepto aos telefones celulares. "O e-mail, além de prático, é muito mais light." Para ele, os seus dois computadores, no escritório e em casa, têm mais utilidade do que um celular, que diz não ter por opção de liberdade. O Rio também abriga lugares variados para navegar. Entre os curiosos, está o QuioskCafé, instalado na praça de alimentação do Barrashopping há cerca de duas semanas. "A pessoa só não tem tanta privacidade", disse um funcionário da casa. O serviço atrai em média cerca de 50 pessoas por dia, que pagam R$ 2,50 por cada 15 minutos na rede. O espaço Terra cyber café, na Boate Méli Mélo, também valem a visita. São 5 computadores ligados à Internet, sempre com um técnico à disposição. Caso haja fila de espera, o tempo máximo que cada pessoa é de 15 minutos. Cybercafé com pão de queijoEm Belo Horizonte, o ponto mais tradicional é o Internet Club Café. Aberto há cinco anos, quando os cybercafés ainda eram novidades na Europa, a casa tem, entre os seus principais freqüentadores, estrangeiros e executivos, que utilizam os cinco computadores interligados com tecnologia ISDN para enviar e receber e-mails, além de acessar os principais jornais do exterior. O serviço custa R$ 9 a hora e conta com a assistência de monitores. O Cybercafé da Livraria Leitura e a Biblioteca Pública Estadual também são boas opções para quem mora na capital mineira ou mesmo para quem está de passagem.O proprietário da Leitura, Alberto Rocha, criou o bar depois de ver a idéia em Mato Grosso. A princípio, seria direcionado ao público em geral, mas "hoje é mais utilizado por artistas e estudantes", afirma Rocha. A hora custa R$ 6. Quem não puder pagar pode aproveitar por 30 minutos um dos dois monitores da Biblioteca Pública Estadual, na Praça da Liberdade. A sala de pesquisa existe desde 1998 e recebe visitas de pessoas de todas as idades. A principal queixa dos usuários da Internet fora de casa é a falta de cybers em pontos-chaves, como aeroportos e postos de gasolina. "Seria muito mais prático", diz o designer gráfico Vianna. "Deveria haver mais pontos no centro da cidade e em todos os shopping", sugere Dirce Sayako.

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