Internet concorre com vendedores ambulantes

A cada novo blockbuster lançado, a mídia se escandaliza ao ver o filme, sendo vendido em DVD e vídeo nas barraquinhas de camelô dos grandes centros urbanos. Mas o ambulante de rua já tem concorrência também no mercado virtual. O "camelô eletrônico" espalhou-se pela internet e já configura uma rede de serviços paralela. Poucos dias após o lançamento de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, era possível encomendar o filme em VCD pela internet e recebê-lo em casa, confortavelmente, pela módica quantia de R$ 16,00. O mais impressionante é que o filme (assim como dezenas de outros, incluindo os campeões de bilheterias O Dia Depois de Amanhã e Homem-Aranha) estava sendo oferecido no site MercadoLivre.com, único associado brasileiro do E-Bay e que atua há cinco anos no País. Após consulta da reportagem do Estado, o Mercado Livre retirou a oferta do site. O material era oferecido por um terceiro, que pedia o preenchimento de um cadastro ao comprador e entregava os filmes em casa, após o pagamento do valor fixado. "A qualquer momento, é possível, sim, que existam produtos piratas à venda no site", disse Stelleo Tolda, diretor-presidente do Mercado Livre. "Mas são infrações às nossas políticas e nós monitoramos constantemente para remover essas ofertas", afirmou. Há diversos outros "camelôs eletrônicos" que vendem discos, vídeos, DVDs, games, kits e até brinquedos pirateados na internet, com entrega domiciliar dos produtos. Um deles oferece em VCD o filme Homem-Aranha 2, que estreou na sexta-feira passada, por R$ 16,00. Tróia, com Brad Pitt, custa R$ 24,00. Também oferece Hellboy, produção que só estréia nas próximas semanas. Para comprar, o visitante só precisa preencher um pequeno cadastro, que não exige documentação. A pirataria audiovisual está se tornando o maior problema que a indústria do cinema enfrenta atualmente. Já existem cópias do premiado documentário Fahrenheit-9/11 circulando na internet, embora espectadores americanos tenham dificuldades para conseguir ingressos para ver o filme nos cinemas. O diretor Michael Moore disse que não se importa com o fato "quanto mais gente tenham acesso a ele, melhor", diz. A indústria discográfica, que já tem metade do lucro das suas companhias abocanhada pela pirataria, também tenta criar saídas para sua situação. A companhia BMG, que está em processo de fusão com a gigante Sony, introduzirá no próximo mês um novo sistema de preços do CD, escalonado pela "qualidade". Serão três categorias, uma "barata", de US$ 12,30; uma normal, de R$ 16,00; e uma de luxo, de US$ 22,15.

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