Internautas jogariam Jade ao vento

É a primeira vez que se tem notícia de uma torcida para que a mocinha da telenovela termine seus dias sozinha. Final triste para Jade é o resultado mais citado pelo público que acessou o site do Estadão para dar sua opinião sobre o desfecho do folhetim de Glória Perez. Segundo 36,40% dos internautas, Jade não é digna nem de Zein (Luciano Szafir) nem de Lucas (Murilo Benício), tampouco de Léo ou Said (Dalton Vigh). Mas é pouco provável que a autora queira jogá-la ao vento. O último capítulo vai ao ar nesta sexta, com reprise no sábado. Das três versões escritas por Glória, a fim de manter o suspense até a exibição das últimas cenas, a mais cotada para ir ao ar é a do clássico final feliz com o mocinho. E esse papel, convém lembrar, coube ao clonado Murilo Benício ? embora Said tenha se assemelhado muito mais que o outro ao perfil do herói. Dos resultados mais esperados, o público quer mesmo que Léo tenha Deusa (Adriana Lessa) como mãe e que Mel (Débora Falabella) se livre das drogas. As surpresas estão na torcida pelo final feliz de Albieri, o cientista maluco vivido por Juca de Oliveira, que seria reconhecido como grande profissional na opinião de 37,61% dos internautas, e também na morte do clone, destino votado por 40,09%. Vício ? A enquete confirma ainda o poder do Clone em cativar uma audiência fiel, capaz mesmo de viciar sua platéia: 73,86% dos internautas que votaram disseram assistir à novela pelo menos três vezes por semana. Além disso, os primeiros 200 capítulos superaram a audiência média de suas antecessoras no horário (veja quadro ao lado), com um detalhe: Terra Nostra (1999) e Laços de Família (2000) tiveram altos e baixos. O Clone manteve seu fôlego em patamar estável do início ao fim. Mais que isso, o resultado da pesquisa aponta para o gosto de um público um tanto requintado. Basta dizer que a maioria dos internautas que votou (55,31%) tem nível superior completo. Desses, 72,42% consideram O Clone ?boa? ou ?razoável?. O interesse fez até brasileiros que moram nos Estados Unidos grudarem os olhos diante da tela, via Globo Internacional. Segundo Luiz Bartolo, da Globo Marcas, deverá chegar até aquele país uma versão traduzida do livro inspirado na novela, com fotos do diretor Jayme Monjardim e detalhes da produção da Globo. ?Alguns produtos lançados em função da trama vêm fazendo sucesso lá. É o caso das bijuterias?, conta Bartolo. O diretor diz ainda que até o bordão de dona Jura (Solange Couto), ?não é brinquedo, não?, já circula entre os brasileiros que estão no exterior. Diagnóstico ? Explicar esse fenômeno não é difícil ? agora que a novela está no fim. A própria Glória Perez reconhece que os autores sempre trabalham com suposições a respeito do que deverá agradar ao público, mas nunca têm certeza do que de fato dará certo. O Clone seguiu a obviedade dos amores impossíveis, mas também se arriscou por terrenos duvidosos: quando estreou, em outubro passado, a Globo se esforçou em reverter a seu favor a abordagem da cultura muçulmana, num contexto em que o 11 de setembro ainda poderia render certa antipatia ao tema. Conseguiu. A questão das drogas era outra aposta de risco. O assunto nunca foi tão escancarado na tela, submetendo-se a uma platéia quase sempre conservadora. Depois de dar provas de comportamento tão exemplar, o público bem que merecia encontrar conforto na recuperação de Mel (Débora Falabella) e de Nando (Thiago Fragoso). O desfecho reservado aos dois é a administração de um clínica para a cura de drogados, que eles abrirão em parceria com Lobato (Osmar Prado). A nova empreitada será batizada como Clínica Regininha, em homenagem à amiga (Viviane Victorelle), que morrerá de overdose. Leia mais no Telejornal

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