Intercine da Globo exibe Orfeu, de Cacá Diegues

Em 1959, havia um movimento no cinema francês que se tornou fundamental para os rumos do cinema moderno, a nouvelle vague. Podendo escolher entre dois grandes filmes da nova onda francesa, Os Incompreendidos, de François Truffaut, e Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais, o júri do Festival de Cannes preferiu atribuir a Palma de Ouro a Orfeu Negro, que Marcel Camus adaptou da peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes.François Truffaut era garoto quando viu o filme de Camus. Já era um cinéfilo e se escandalizou com o que lhe pareceu uma folclorização da obra de Vinicius. Desde então, Cacá Diegues sonhou com o remake de Orfeu, que só concretizou 40 anos depois. É a atração desta segunda-feira do Intercine, na Globo.O Orfeu de Cacá não é muito melhor do que o de Camus, mas a transposição do mito grego para o morro carioca tem seus valores. O cineasta, que havia feito um Orfeu contemporâneo, com Um Trem para as Estrelas, encontrou em Toni Garrido, vocalista do Cidade Negra, o intérprete perfeito. E seu filme é festa para os ouvidos, com a trilha da peça, de Antônio Carlos Jobim e Vinicius e Luis Bonfá e Antônio Maria, reorganizada por Caetano Veloso, com o acréscimo de pérolas da MPB. Quem acha que o morro não tem vez não ouviu o Orfeu de Cacá.

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