DIDA SAMPAIO|ESTADAO
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'Integração fortalecerá a área cultural', diz ministro da Educação

Mendonça Filho, rebateu nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Estadão, as críticas que artistas estão fazendo à junção da pasta da Cultura com a Educação

O Estado de S. Paulo

18 de maio de 2016 | 12h29

O novo ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, rebateu nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Estadão, as críticas que artistas estão fazendo à junção da pasta da Cultura com a Educação. "A cultura (é quem) está tendo prejuízo hoje no Brasil. Do orçamento de 2016 (do extinto Ministério da Cultura), de cerca de R$ 2,6 bi de reais, temos R$ 1,580 bilhões de restos a pagar do exercício passado (2015), além de mais de R$ 232 milhões de dívidas vencidas", exemplificou, destacando que há gargalos graves em uma pasta que, a rigor, deveria cuidar das políticas culturais do Brasil, do patrimônio histórico, dos museus, "que estão com as contas de luz em atraso" e de toda a gestão relacionada à Lei Rouanet e a de audiovisual. 

Sem citar os protestos que estão ocorrendo, não apenas no País, mas também no exterior, como em Cannes, na estreia do filme brasileiro Aquarius, ele alfinetou: "Então, ter um ministério exclusivo da Cultura não significa que você tenha eficiência e que tenha uma boa atuação na área cultural no Brasil". O ministro afirmou que os que mais sofrem com isso são os promotores, produtores culturais e os artistas pequenos e médios de expressão nacional ou regional que, "infelizmente não tiveram no Ministério da Cultura, nos últimos anos, o local e espaço adequados para a promoção cultural desejada para representar a população brasileira".

Apesar da crítica, Mendonça Filho disse que não se pode taxar o protesto desses artistas como algo negativo, até mesmo porque a Constituição assegura a livre manifestação. Contudo, ponderou: "Há segmentos que têm muito envolvimento político/partidário com o governo do PT que acabou de deixar o poder e outros, movimentos de pessoas com representatividade no setor cultural, que eu creio que, através do diálogo e conversa, serão convencidos de que a estrutura que está se montando com a Secretaria Nacional de Cultura e a integração entre cultura e educação, que são duas áreas complementares, fortalecerá a área cultural e haverá mais chances de captação de recursos", disse, citando que a Educação tem um orçamento de R$ 130 bilhões.

Mulher. Indagado se a preferência pelo nome de uma secretária seria a forma de compensar a falta de mulheres no primeiro escalão da gestão Temer, fato criticado por muitos setores, Mendonça disse que não, mas admitiu: "Temos evidentemente uma preferência para o nome de uma mulher, mas necessariamente não terá que ser mulher, poderá ser um homem, que tenha ligações com a cultura e capacidade de aglutinação no meio cultural, credibilidade e condições de colocar em prática um trabalho que atenda o setor." E utilizando o mesmo argumento do presidente interino, disse que no MEC suas principais assessoras e titulares das secretarias são mulheres. "Tendo a possibilidade de incorporar mais mulheres em todos os escalões da administração pública é algo positivo, pessoalmente adoro que possamos trabalhar sempre com mulheres, que trazem uma contribuição sempre muito importante."

Ainda sobre a escolha do nome para a Secretaria Nacional de Cultura, o ministro rebateu as informações de que a apresentadora Marília Gabriela e a atriz Bruna Lombardi, a quem ele diz nutrir o maior respeito, tenham sido convidadas por ele para o cargo. "Pessoalmente não fiz nenhuma sondagem, apesar de o presidente Temer nos delegar a tarefa de encontrar nomes, as duas têm qualificação para qualquer função pública, mas não houve nenhuma sondagem nessa direção. Estamos ultimando conversas e logo teremos definição daquele ou daquela que será o novo secretário ou secretária de Cultura", emendou.

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