Integração entre obra e espaço

Programa de Exposições do CCSP radicaliza tendência de outras edições

Maria Hirszman / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

Exercícios contrastantes. Detalhes da Escultura "Bim Bom", de Eduardo Climachauska

 

 

 

Em sua 1.ª Mostra do Programa de Exposições de 2010, em cartaz desde sábado, o Centro Cultural São Paulo radicaliza uma tendência de maior integração entre obras e arquitetura, já ensaiada em edições anteriores. Ao abolir a maioria das paredes e divisórias, o projeto estabelece uma maior tensão e diálogo entre as obras dos seis artistas contemplados enfatiza a diversidade de escolhas e estratégias na produção contemporânea.

Outra aposta na relação espacial da mostra é o convite feito à pintora Cristina Canale para que desenvolvesse um trabalho em grande escala. O resultado é uma enorme índia em vinil, colada à fachada de vidro do prédio, como se olhasse para os jardins. Com tratamento bastante semelhante ao da aquarela e com uma assumida referência às figuras primitivas de Gauguin, a mulher remete tanto às origens indígenas de São Paulo como estabelece uma espécie de elo entre a natureza do parque externo e o rigor arquitetônico do prédio de concreto, ferro e vidro. Cristina também expõe um conjunto de desenhos em técnica mista nos quais parece explorar figuras femininas marcantes da iconografia brasileira.

Eduardo Climachauska é o outro convidado dessa edição da mostra. E tem suas obras, exercícios escultóricos minimalistas e provocativos, ladeadas pelo trabalho dos artistas selecionados. Há um interessante contraste entre a pureza de suas peças construídas em madeira e mármore - materiais por excelência da escultura - e sustentadas por aparelhos ortopédicos com a explosão um tanto carnavalesca e urbana da instalação de Gustavo Ferro. A outra vizinha de Climachauska, Nara Amélia, é uma jovem e talentosa gravurista que recria pequenos mundos surreais e um tanto perversos,

Em meio a uma ampla diversidade de meios, a fotografia é a que tem maior presença na mostra, com trabalhos de Renata Ursaia e Rafael Assef. Sem manipulações, Renata nos coloca diante de imagens que instigam nossa dúvida, como o encontro entre um mini-ponei e um poodle gigante, e explora a relação contrastante entre natureza e cultura. Já Assef dá continuidade à sua investigação sobre cicatrizes, mas agora abandonou a pele pelas marcas apagadas dos revólveres apreendidos pela polícia. Flutuando no espaço, essas imagens um tanto escultóricas nos enganam num primeiro momento com seu sedutor aspecto metálico, mas rapidamente reatribuimos sua carga simbólica e material.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.