Instituto Tomie Ohtake apronta inauguração

Os filhos bem que tentaram, mas não deu tempo de homenagear a mãe no dia do seu aniversário de 88 anos, comemorados no último dia 21. Ficou para a próxima quarta a inauguração de parte do Instituto Tomie Ohtake, o mais novo centro cultural de São Paulo, localizado em Pinheiros, em terreno localizado entre as avenidas Faria Lima e Pedroso de Moraes. Projetado por Ruy Ohtake e dirigido pelo irmão Ricardo - ambos filhos de Tomie -, o espaço integra um complexo que saiu do papel há três anos com recursos do Grupo Aché, calculados em R$ 100 milhões. Em maio deste ano, foi inaugurada a primeira parte do complexo, um prédio de seis andares de salas comerciais - todas elas ocupadas por um escritório de advocacia. Uma torre de 22 andares, destinada a uso comercial, deverá ser erguida e concluída até o fim do ano que vem. Mas é a área do centro cultural a menina dos olhos do arquiteto Ruy. Das salas de exposição às instalações de uma cafeteria, tudo foi projetado por ele. O centro abriga oito galerias, cinco salas de ateliê, uma sala de documentação e um hall com restaurante, café, loja e livraria. A artista-plástica Tomie Ohtake, a grande homenageada, terá uma sala onde suas obras estarão permanentemente expostas. Além disso, uma outra galeria abrigará seus trabalhos da década de 50 até hoje. Tomie pintou uma grante tela de dez metros especialmente para o espaço. Ao todo, 90 trabalhos seus poderão ser vistos a partir de quarta-feira. Em outra sala, a artista plástica mineira Rosangela Rennó expõe uma instalação (Hipocampo), a Série Vermelha que reúne 15 imagens de homens e crianças em poses e uniformes marciais e uma vídeo-instalação composta de duas telas de projeção simultânea. A curadoria das exposições de arte é de Agnaldo Farias, que será o responsável pelas mostras do instituto. Design e arquitetura não ficaram de fora da programação de exposições que inaugura na quarta. Em Singular e Plural, centenas de objetos - como embalagens, móveis, livros e capas de discos - retratarão a trajetória do design industrial brasileiro nos últimos 50 anos. Abrangência maior terá Arquitetura 3 Movimentos - uma vídeo-instalação inspirada nas arquiteturas carioca, paulista e contemporânea - que percorrerá mais de 60 anos da história da arquitetura urbana no Brasil. O ciclo de exposições se fecha com a Mostra de Vídeo de Arte e Sobre Artistas, filmes projetados em uma sala ovalada com projeções silmutâneas. Contemporaneidade é a senha do Instituto Tomie Ohtake. "Foi uma forma de homenagear a artista, que começou sua carreira na segunda metade do século, e de refletir sobre arte e cultura do momento", diz Ricardo Ohtake. Em meados do ano que vem, estará concluída a segunda e última parte do centro cultural: um teatro com capacidade para 750 pessoas, com curadoria de Emílio Kalil. O curador já acertou com a coreógrafa americana Trisha Brown a realização de um espetáculo em homenagem a Tomie para inaugurar a sala. Para dar suporte ao público, o hall, que tem comunicação com o prédio de escritórios, será equipado com uma livraria, um café e um restaurante. Operação Faria Lima - Outra preocupação dos irmãos Ohtake foi com o acabamento e funcionalidade das instalações. Ruy optou, por exemplo, por paredes de madeira, pintadas de branco, dada a maleabilidade do material. No chão, concreto com pó de quartzo para manter a discrição e não interferir nas obras expostas. As instalações elétricas também foram objeto de cuidado. Os fios correm por canaletes com tampas e ficam ocultos. Para dar mais conforto aos usuários, foram planejados dois estacionamentos. O primeiro, com 700 vagas, está pronto para a inauguração na próxima semana. O Instituto Cultural Tomie Ohtake ocupa 12 mil metros quadrados. O terreno pertence ao Grupo Aché e situa-se na área de zoneamento da Faria Lima. A legislação para construções na região foi elaborada durante a gestão do prefeito Paulo Maluf e tornou-se conhecida como Operação Faria Lima. Trata-se, como explica a arquiteta e diretora do movimento Defenda São Paulo, Regina Monteiro, de uma legislação de exceção, feita para atrair investimentos no entorno da então recém-aberta Avenida Nova Faria Lima.

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