Instituto promove a literatura de Pernambuco

Nos seus dois anos de vida, o Instituto Maximiano Campos já tem uma boa história para contar. Apoiou a publicação de mais de 30 livros e abriu um site que pretende ser referência sobre literatura pernambucana. Nascido inicialmente para divulgar a obra do escritor e poeta pernambucano Maximiano Campos, o instituto expandiu seus horizontes e publicou, neste ano, trabalhos de autores conceituados, mas absolutamente desconhecidos no País. Um destes foi o poeta Alberto da Cunha Melo, um dos finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, com o livro Dois Caminhos e Uma Oração, editado em parceria com A Girafa Editora. O presidente do Instituto é Antonio Campos, filho do Maximiano que batiza a entidade. Em 2003, o IMC concentrou-se na chamada Geração 65, um movimento que revelou poetas e prosadores e renovou a tradição de Pernambuco na literatura. Os planos do instituto para 2004 incluem transformar Pernambuco, durante um mês, em "um grande livro", com poesias e textos literários ilustrando outdoors, cartazes em ônibus, shoppings e locais públicos.Antônio Campos nutre verdadeira adoração pelo pai, "pessoa reclusa que nunca se preocupou com a divulgação da sua obra, grande parte dela ainda inédita". A seu ver, Sem Lei nem Rei, livro sobre o cangaço escrito por Maximiano aos 23 anos (ele morreu aos 57) "ainda vai ser descoberto como uma grande obra cinematográfica". Cunha Melo - - Mesmo sem ter levado o Prêmio Telecom, entregue recentemente, Alberto da Cunha Melo, de 62 anos, autor de 12 livros de poesia, é tido como um dos maiores poetas da língua portuguesa. Na apresentação de Dois Caminhos e Uma Oração, o escritor e jornalista José Nêumanne diz que até hoje a obra do poeta, "cultivada com esmero, paciência, criatividade e originalidade", era do conhecimento exclusivo de Pernambuco e de alguns especialistas, como o professor e ensaísta Alfredo Bosi e o poeta Bruno Tolentino, seus admiradores. Os dois desfazem-se em elogios a Cunha Melo: "Inscreve-se definitivamente entre os grandes, os maiores vates de nosso tempo em qualquer língua que conheça", escreve Bruno Tolentino. Para Bosi, "o Nordeste nos dá mais uma vez, depois do paraibano Augusto dos Anjos e dos pernambucanos Carlos Pena Filho e João Cabral, a sua lição de dor que se faz beleza e arranca de si forças para construir uma poesia como a de Alberto Cunha Melo, cujo nome secreto é resistência".0

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