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Inspirada na energia eólica e solar, Chanel se renova com verão leve

Estilista Karl Lagerfeld aumenta pontos à história da grife sem perder o molde primordial da marca

Flavia Guerra - O Estado de S. Paulo,

03 Outubro 2012 | 20h10

Renovar é preciso. Na moda, se um furacão de renovação não surge a cada estação, ao menos uma brisa sopra algo novo no ar. E muitas vezes os ventos de mudança vêm de onde menos se espera. Até mesmo de nomes que poderiam estar navegando nas águas tranquilas da história traçada. É o caso de Karl Lagerfeld. Como poucos, o todo-poderoso da Chanel sabe aumentar vários pontos à história da grife sem nem por isso perder o molde primordial criado pela estilista francesa. Lagerfeld acaba de renovar seu contrato com a maison e não por acaso foi buscar inspiração na energia solar e eólica. Mais ‘renovação’, impossível. No backstage do desfile, explicou: "É sobre o espírito dos tempos que vivemos, sobre o que está no ar, sobre o vento".

O que se viu na passarela foi a perfeita coerência entre o discurso e a prática. A começar pelo cenário que, como manda a tradição da Chanel, transformou o Grand Palais de Paris em um quixotesco campo de moinhos de vento e, como renovar é preciso, painéis solares. Na coleção, antes de renovar, é preciso desconstruir. A tendência do preto e branco, que deu o tom às semanas prévias de Nova York, Londres e Milão, também abriu o desfile da primavera-verão 2013 da Chanel.

Já que ventos quente vêm por aí, nada como apostar nos ombros à mostra. Delicados tomara que caia cravejados de máxi pérolas brincavam com a sofisticação da marca e, ao mesmo tempo, da leveza que o verão pede. Como os ombros também podem ganhar destaque ‘escondidos’, casaquetos e tailleurs agora têm mais volume nas mangas e ombros. Há um certo ar sessentista nos casacos, que ora surgem clássicos, ora em versão cropped, mais curtinhos.

No entanto, o destaque ficou mesmo por conta das variações criativas do mais verão dos vestidos: o tomara que caia. A peça surgiu também em releituras do padrão clássico do tailleurs. E se o célebre conjunto preto com bordas brancas fosse descosturado e virasse um vestido? Então, a faixa branca marca o colo, o preto dá o tom ao look e os bolsos viram praticamente acessórios. A peça surgiu em outras leituras e é a prova de que o verão pode, e deve, ser leve e sofisticado ao mesmo tempo.

Considerando o que se seguiu, pode-se dizer que Lagerfeld aposta em um verão mais comercial ao trazer vestidos floridos, chiffon e até penas, além de paleta de cores que variaram do preto e branco ao lilás, passando pelo vermelho e o rosa. Mas é impossível não se deixar encantar pela desconstrução dos looks de tweed. O mais clássico dos tecidos que são a cara da Chanel surgiu em vestidos e conjuntos com costuras à vista, boleros duas cores com, claro, botões de pérola. Há um despojamento quase juvenil, quase grunge nos looks que remetem ao conforto.

Nos acessórios, a descontração tomou conta e o que se viu foram propostas ousadas como a maxibolsa em matelassê com alça de bambolê, maxichapéu de aba translúcida, colar e pulseira. Tudo máxi, claro. Inclusive as indefectíveis pérolas. Imensas.

 

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