Inspiração de Nailor proveta

RIO

Lucas Nobile /RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 00h00

A terceira edição do Copa Fest teve entre seus destaques atrações praticamente internacionais para os cariocas. Na turma dos "estrangeiros", Dom Salvador, desde 1973 fora do País, a Banda Mantiqueira, habitué dos auditórios em São Paulo, mas, infelizmente, ainda pouco ouvida no Rio, e um gringo de fato, o argentino Hector del Curto. Único representante "local", o saxofonista Léo Gandelman merece respeito por sua milhagem.

O primeiro show da noite de anteontem foi praticamente tomado por temas inéditos, como Camisa 7 (em homenagem ao furacão da copa de 1970, Jairzinho), Luz Azul e Vip-Vop (trocadilho com "very important people" e "very ordinary people"), mas as canções mais marcantes e que levantaram a plateia foram composições de outros autores, como Reza, de Edu Lobo e Ruy Guerra, e Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

Com seu cacoete de radialista, ele parecia um animador de circo, um David Letterman, convocando o público, por mais de uma vez, a participar, ou seja, fazendo o papel que a música boa, por si, só, já deveria exercer.

O ponto positivo do show, além banda de Gandelman, com destaque para o baixista Alberto Continentino, foi a participação de Serginho do Trombone, parceiro de Dom Salvador no conjunto Abolição.

Desconhecido.Na noite de sexta, praticamente ninguém na plateia tinha conhecimento sobre a carreira de Hector del Curto. O argentino e seu grupo, com contrabaixo, violoncelo e violino, surpreenderam o público, mesclando temas próprios, como Milonga para Hermeto - homenagem ao multi-instrumentista brasileiro _, com outros de Piazzolla e de compositores anteriores ao novo tango portenho.

Além do show de Dom Salvador, um verdadeiro acontecimento na noite carioca, a apresentação da Banda Mantiqueira, na sexta, foi memorável. O grupo tocou composições de Cartola, Noel, Tom Jobim, João Bosco e Dorival Caymmi, liderados pelo arranjador, clarinetista e saxofonista Nailor Azevedo, o Proveta, que deu o ar de sua genialidade ao interpretar Carinhoso e Segura Ele, de Pixinguinha.

Outro ponto positivo do festival foi o Vinil é Arte, com DJs tocando LPs raros antes, nos intervalos e depois dos shows.

Uma das críticas ao Copa Fest fica por conta da equalização do som. Durante várias apresentações, ouviam-se algumas microfonias e estalos desagradáveis, além de solistas serem prejudicados em seus improvisos pelo baixo volume, mas nada que tenha comprometido no geral. O que ficou feio mesmo foi o vai-e-vem de garçons entre as mesas do salão, muitos falando alto como se estivessem em uma festa de debutantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.