Keiny Andrade/AE
Keiny Andrade/AE

Ingrid Guimarães

Há dez anos ela lota o teatro com a comédia Cócegas; Agora, com sua primeira protagonista no cinema, repete o sucesso e leva 1,2 milhão para ver De Pernas pro Ar.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2011 | 00h00

Você é atriz, comediante, divide-se entre teatro, TV, cinema, é mãe da Clara, mulher de Renê. Identifica-se com a workaholic Alice de De Pernas Pro Ar e você?

Sim! Toda mulher contemporânea tem muito em comum com ela. Quando comecei a conhecer melhor a Alice, passei a pensar nas minhas próprias questões. Eu trabalho muito, tinha dado à luz pouco antes do início das filmagens e amamentava nos intervalos. Estou sempre me dividindo entre o trabalho, minha filha, meu marido. A questão de como a mulher vai se dividir entre tantas tarefas que acumulou é universal.

Apesar de ser uma comédia, o filme fala de várias fases de uma mulher que vai se descobrindo. Como foi viver essas fases?

Foi ótimo e, ao mesmo tempo, difícil. No cinema, tudo é filmado "fora da ordem". Não há o "crescente" do teatro, Para "entrar" nas fases da Alice, comprei um caderno e anotei ao lado das cenas: Fase 1 - workaholic, Fase 2 - gozei, Fase 3 - voltando para o marido. Lia no caderno que fase era e ia para filmar no "clima". Ajudou muito.

Você se surpreendeu ao ver o filme pronto?

Muito! É um filme em que me diverti muito. Mas no fundo é uma história de amor. O que mais gostei é que me identifiquei ao ver Alice na tela. No Brasil, diferentemente dos EUA, onde comédia é gênero muito respeitado, comédia ainda é "filme menor". Acho que é importante um filme como este vir depois de Tropa de Elite. Rir é importante.

Fazer comédia é mais difícil?

Não é porque sou comediante, mas sim. A comédia tem a questão do timing. Precisa ficar real senão não tem graça.

Seu marido assistiu?

Assistiu e adorou. Mas disse: "Pensei que era filme para mulher." Engraçado ele dizer isso porque faço questão de perguntar para os homens o que acham. Vários dizem: "Adorei. Primeiro porque ri muito. Segundo porque o marido (o ator Bruno Garcia) não é retratado como um homem babaca."

É a reação do "novo homem".

Exato. Imagine que até ha pouco tempo muitos iriam preferir serem retratados como "pegadores". Este é um momento especial. Estamos redefinindo mesmo nossos papéis e procurando nosso espaço nas relações. Tanto homem quanto mulher.

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