Ingo Maurer examina espaços em SP para expor

Um dos mais importantes designers do mundo, o alemão Ingo Maurer aterrissou no Brasil ontem, vindo dos Estados Unidos, onde esteve para, literalmente, devolver a luz a um antigo teatro no Harlem, em Nova York. O artista realizou no edifício da década de 20, abandonado há 40 anos, uma performance que, segundo contou à reportagem, "devolveu um pouco da dignidade à comunidade da região". Os descolados que quiseram conferir a aparição do artista requisitado pelos mais importantes centros e museus de design tiveram de deslocar-se até o bairro negro e misturar-se com seus vizinhos.Maurer produz desde os anos 60 sofisticados projetos de luminárias e de iluminação disputados pelos curadores do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e do Centro Georges Pompidou em Paris, além das grandes lojas do ramo e alguns proprietários de palacetes. Hoje, com uma equipe de 70 pessoas, se preocupa mais em desenvolver projetos sociais e criações que traduzam o que considera o espírito da luz.Esse espírito está expresso em sua mais recente série de luminárias, por meio da leveza e da ludicidade das estruturas orgânicas curvilíneas que ganham corpo de papel. Feitas de folhas dobradas e lâmpadas suspensas, os MaMoNouchies, uma homenagem ao colega Isamu Noguchi, podem ser vistos no Brasil na representante do designer por aqui, a Functional Art Systems. A loja também mostra criações mais antigas de Maurer, como a vermelha em forma de coração, outro elemento recorrente na carreira de Maurer."O evento no teatro do Harlem não teve apenas a importância política, reunindo facções que se hostilizam, mas também humana, pois, de certa forma, abriu o coração e as mentes das pessoas", disse. Todo ano, o designer e sua equipe produzem um peça cuja renda é revertida para projetos sociais com crianças. Uma delas é a luminária Porca Miséria!, lustre feito de cacos de louça branca, que a curadora Paola Antonelli instalou no MoMA, há dois anos, sobre uma cadeira vermelha dos irmãos Campana.Ingo Maurer nunca expôs na América Latina. Ele veio ao Brasil convidado por uma rede de hotéis e para conhecer possíveis espaços para a apresentação de suas peças. "Mas ainda é muito cedo para qualquer definição", esclarece ele, que reservou dois dias, quinta e sexta-feira, para conhecer o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) e o Museu de Arte Moderna (MAM).Essa é a terceira vez que ele vem ao Brasil e a primeira a São Paulo, que evitava "por causa do ar poluído". Um passeio foi o suficiente para garantir sua volta. "Além da proximidade humana típica do Brasil, São Paulo tem um movimento, uma dinâmica que não se encontra em nenhuma capital européia", redime-se o artista, que expõe com freqüência em Milão, Colônia e Paris.

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