Influências

Ennio Morricone

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2010 | 00h00

Compositor italiano conhecido por suas trilhas para cinema, com belos trabalhos com Fellini

Dos 17 para os 18 anos, Egberto Gismonti foi apresentado aos filmes de Federico Fellini. Ali, encantou-se com as trilhas compostas por Ennio Morricone. Como os temas sempre faziam alusões musicais ao universo dos "mambembes", como define Gismonti, ele resolveu homenagear essas pessoas. Foi então que surgiu aquele que se tornaria talvez o tema mais conhecido do compositor fluminense, Palhaço, registrado também no álbum Circense. "Depois de ter conhecido a história de vida do Morricone, que voltou para sua cidade na Itália para viver no anonimato, mesmo depois da fama, eu o promovi quase que ao patamar do tio Edgard."

Manoel de Barros

Poeta cuiabano completa 94 anos no domingo. Escreveu sobre o LP Música de Sobrevivência

Gismonti fala com muito carinho quando se refere a Manoel de Barros. Revelando uma dívida que tinha com o poeta, ele conta que o escritor cobrou que ele escrevesse a apresentação de seu livro mais recente como forma de pagamento por ele ter escrito sobre seu disco Música de Sobrevivência. Este ano, além de ter trabalhado em trilhas de filmes como Nosso Lar, que conta a vida de Chico Xavier, Gismonti também compôs as músicas de um curta-metragem inspirado em poemas de Manoel de Barros, Wenceslau e a Árvore do Gramofone. "Eu não sou escritor, mas é um troço genial você ter de pagar uma dívida para o "Manel"."

Naná Vasconcelos

Percussionista e compositor pernambucano teve influência sobre Maracatu, de Gismonti

Com Naná Vasconcelos, Gismonti registrou em álbuns um dos duos mais brilhantes de sua carreira. Assim como ele, outros grandes bateristas e percussionistas brasileiros, como Airto Moreira, Robertinho Silva e Nenê foram importantes para o compositor e multi-instrumentista descobrir a essência e conhecer mais a fundo ritmos do Brasil. O próprio Gismonti conta que figuras como essas o levaram a compor um de seus temas mais geniais, Maracatu. "Eu tive a sorte de trabalhar com grandes bateristas e eles me disseram que o maracatu surgiu por causa de um sujeito bêbado tocando tarol.", disse Gismonti em entrevista ao programa Ensaio, de Fernando Faro, em 1992.

Orquestra de Sopros Pro Arte

Jovens de 17 a 25 anos vêm fazendo um belo trabalho com o compositor há seis meses

A Orquestra de Sopros Pro Arte, formada por jovens de 17 a 25 anos, apresentou em seu disco de estreia temas de Moacir Santos, Radamés Gnattali, Hermeto Pascoal, Baden Powell e Tom Jobim. Agora, os músicos vêm tendo a oportunidade de travar contato com Gismonti. No Mercado Cultural da Bahia, eles provaram que a troca de experiências é extremamente benéfica em sua formação e engrandeceram as criações do compositor fluminense. O ponto alto do show foi a interpretação de Frevo. "O mais importante é que eles estão felizes e eu também. Nossa relação é recente, seis meses. Daqui um tempo pode surgir algo dessa combinação, eu ainda não sei."

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