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Inesquecíveis

Entre o time que o Saldanha tinha na ponta da língua e o que jogou no México, tudo virou mito

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2020 | 03h00

Tivemos a seleção brasileira de 70 e tivemos as suas circunstâncias – ou seus mitos. Que mitos resistiram ao tempo e quais foram desmentidos ou esquecidos? O técnico João Saldanha disse mesmo que não convocaria o Pelé porque o Pelé era míope? Saldanha largou a seleção que iria ao México porque os militares no poder, a começar pelo presidente Médici, estavam se metendo demais no seu trabalho, inclusive pedindo a convocação do centroavante Dario? Ou não foi bem assim? 

Não importa. O que deixou mais saudades foi o inédito anúncio feito pelo Saldanha, como primeiro ato do seu mandato, do time que ele tinha pronto na cabeça, do goleiro ao ponta-esquerda. O time que acabou ganhando no México não foi o do Saldanha, foi o do Zagallo, que o substituiu, mas isso também não importa. 

Entre o time que o Saldanha tinha na ponta da língua e o que jogou no México, tudo virou mito.

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Na opinião de muitos, os dois melhores times do Brasil foram os das nossas derrotas mais pungentes, as seleções de 50 e de 82. Qual seria o resultado do encontro entre essas seleções brasileiras de diferentes épocas? Muita gente opina que os dois melhores times do Brasil de todos os tempos foram justamente os das nossas duas derrotas mais inesquecíveis (esquecendo-se, misericordiosamente, dos 7 a 1 de 2014). 

Um jogo da seleção de 58 com a seleção de 70 seria um encontro de Pelés, o Pelé com 17 anos e o Pelé com quase 30. Um Pelé começando e um Pelé experiente. Time por time, sei não. Uma comparação jogador a jogador não seria fácil, fora obviedades como o Nilton Santos comparado com o Everaldo. A superioridade do Garrincha sobre o Jairzinho, mesmo levando-se em conta a enormidade que o Jairzinho jogou no México, seria incontestável. 

Em outros casos, nem caberia comparação. Vavá e Tostão? Tostão, claro. Rivellino também era um falso ponteiro, como o Zagallo, mas tinha os recursos do drible curto e do chute forte que Zagallo não tinha. Enfim, quem ganharia?

Acho que o jogo seria decidido por um dos dois Pelés. Eu apostaria no Pelé maduro.

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A seleção de 82, de Junior, Cerezo, Sócrates, Zico, Falcão e etc., talvez fosse a melhor das quatro. Mas aquela foi uma geração brilhante, sem apoteose. Ficou faltando a apoteose.

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