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Ignácio de Loyola Brandão
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IndigNação ou crônica da revolta anunciada

O clichê: Custou, mas o povo descobriu, o rei está nu.

IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2013 | 02h07

A verdade: O rei é o PT e foi também PSDB, PMDB e todos.

Com tanto shopping abrindo, tantas lojas e as belas roupas do rei não existem.

O povo foi às ruas e como quando há multidão há aproveitamento. Como não existe segurança, aumentaram os baderneiros de plantão. Quem garante que não eram, foram ou são pagos?

Nós, e somos milhões, não estamos a favor da violência, do vandalismo, da bagunça, da desordem.

O que está acontecendo? Ainda perguntam? Só os tapados não sabem. Lula nunca soube de nada. E agora?

O pavio foi aceso. O rastilho percorreu o Brasil. Na ponta, dinamite.

Movimento sem partidos, sim. Partidos estão falidos. Desde que Lula apertou a mão do Maluf, os partidos decretaram a falência, entraram em colapso, acabaram. A ideologia desceu pelo esgoto. Aquele aperto de mão foi igual à queda do Muro de Berlim.

Ninguém suporta mais cinismo, hipocrisia, blindagem de políticos, ministros, governadores, empresários, corrupção, dinheiro no bolso, em paraísos fiscais, em caixa dois, dinheiro de lavagem. Lavagem, antigamente, era comida que se dava aos porcos.

Deixemos as análises e interpretações para os que estudaram. Sociólogos, filósofos, cientistas políticos, antropólogos, historiadores. Serão mais de mil ensaios. Enquanto isso, fiquemos de plantão, junto à porta, prontos para sair à rua.

Alguns cartazes estavam mal escritos? Estavam. O pessoal termina o fundamental completamente analfabeto. Não tem educação, não tem ministério, não tem dinheiro, não tem vontade, não tem professores formados, ainda que tenha Enem.

Gostei de cartazes, como:

Desculpe o transtorno, estamos reformando o Brasil.

País rico não é país onde pobre tem carro. É país onde rico anda de transporte público.

E este belo, poético, sintético: indigNação.

Havia também um espertinho: Vendo Palio 98. (Andaram dizendo que foi do Eike Batista.)

Com meu caderninho (sou um repórter), fui ouvindo as pessoas. Cada um tem uma reivindicação, e não pessoal, e sim ligada à política, à estrutura de governo, à vida do brasileiro no que depende das instituições. Listei:

Que o Lula deixe de ser o ex-presidente em exercício.

Assuma, Dilma, assuma, queremos a guerrilheira de volta. Lute agora pelo que você lutou.

Que diminua o número de ministérios, assessores, subassessores, assessores dos assessores e assim ao infinito.

Que diminua o número de senadores, deputados, vereadores.

Que diminua os salários dos parlamentares.

Que não haja mais votações secretas nas Câmaras altas.

Que caia fora o Feliciano.

Caiam fora o Genoino, o João Paulo Cunha, o Renan, o Marco Aurélio Toc-Toc Garcia (Sumiu, como Doril), aposentem o Sarney. Fora também o Gilberto Carvalho.

Que os ministros Toffoli e o Lewandowski parem de falar em diminuição das penas do mensalão e transformação da prisão em multas.

Que se reinstaure a CPI da Bancoop, a cooperativa que ludibriou milhares de pessoas que pagaram e receberam esqueletos de prédios. Teve gente que perdeu tudo, poupança, economias de uma vida, fundo de garantia, ficou no miserê.

Olho em cima dos convênios médicos.

Escolas, salas de aulas, carteiras, computadores, merendas, material escolar, praças de esporte para as crianças.

Professores, salários para que professores possam viver e não apenas sobreviver. Para que possam ter casa, sustentar família, pagar escola, se divertir.

Hospitais, equipamentos, médicos, salários para os médicos.

Acabem com as máfias dos transportes, as confrarias. Queremos ônibus, metrô, seja o que for. Decentes e em quantidade.

Empregos, empregos, e não esmolas.

Terminem a transposição do Rio São Francisco.

Olho nas empreiteiras. E a CPI da Delta?

E o que anda fazendo a Rose Noronha, a famosa Rose Madame Pompadour do PT? Ou seria a Du Barry?

Chega da indústria da multa!

Ou acabem os pedágios ou acabe o IPVA

Tribunal de Contas nas contas da Copa.

Por mim, a Copa pode ser no Tahiti, tão simpáticos.

Que Sérgio Cabral e seus amigos de guardanapos na cabeça e suas mulheres com sapato de solado vermelho sejam enviados a Paris (com o dinheiro deles, claro) e ali permaneçam. Polícia Federal crie a CPI Louboutin.

Que o Pelé vá morar em Mônaco junto com o Galvão Bueno. Ele ficou preocupado com a confusão. O Pelé se acha entidade. Divindade à parte. Ele só se cita na terceira pessoa.

Levem junto o fenômeno, Ronaldo.

Que a Eletropaulo e a CPFL contratem o Lula para plantar postes, já que é especialista. O poste de São Paulo vergou, entortou, não é de ferro, concreto, é borracha mole.

E que a Fifa pare de se intrometer em assuntos internos. Ela pensa ser um país dentro do Brasil.

E agora? A imprensa é a culpada de tudo?

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