François Duhamel/ Divulgação
François Duhamel/ Divulgação

Indicado ao Oscar, 'Tão Forte e Tão Perto' subestima o espectador

Inspirado em best-seller, filme aborda consequências dos atentados de 11 de setembro

Maiara Camargo - Jornal da Tarde, Agência Estado

22 Fevereiro 2012 | 09h15

O fato de Tão Forte e Tão Perto ter como plano de fundo de sua trama os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 atraiu uma atenção extra ao longa. Inspirado no best-seller homônimo de Jonathan Safran Foer, o filme, que tem direção de Stephen Daldry, recebeu duras críticas por usar um acontecimento ainda indigesto aos americanos de forma considerada manipuladora, ou seja, como meio para fazer o espectador chorar. No momento, a produção ocupa a 98ª posição entre os filmes mais bem sucedidos no EUA nos últimos 12 meses, segundo lista divulgada pelo site Box Office Mojo, o que demonstra uma fraca recepção. Por outro lado, a obra agradou a Academia e chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira, 24, com duas indicações ao Oscar, nas categorias de melhor filme e ator coadjuvante, ao veterano Max Von Sidow.

O enredo, que tem adaptação de Eric Roth (de Forrest Gump e O Curioso Caso de Benjamin Button ), gira em torno de Oskar Schell, papel do ator estreante Thomas Horn, um garoto de 11 anos que perde o pai, seu maior laço afetivo, durante os ataques às torres gêmeas em Nova York. Tom Hanks é Thomas Schell, um joalheiro que sonhava ser cientista e criou o filho estimulando sua curiosidade. Em uma das cenas, Thomas conta a Oskar que existiria um território perdido na cidade (em Nova York, um borough, região), instigando o menino a investigar.

Apesar de sua inteligência acima da média, Oskar tem problemas de ansiedade, o que faz com que tenha sérias dificuldades de se relacionar com as pessoas - o pai é a exceção. Há inclusive uma sugestão de que os sintomas estejam ligados à síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Essa condição faz com que Oskar carregue um tipo de pandeiro aonde quer que vá.

 

 

Mesmo com uma complexa figura, Thomas Schell dá conta da complexidade de Oskar e vai bem nas cenas em que o garoto se torna agressivo. O ator foi descoberto em sua participação vitoriosa no Jeopardy, programa de perguntas e respostas americano.

 

A morte repentina do pai piora a situação de Oskar, que se torna obcecado pela figura paterna. Passa longos períodos observando uma espécie de altar com fotos do pai e ouvindo repetidamente as mensagens deixadas pelo joalheiro na secretaria eletrônica da família quando estava no World Trade Center naquele que é chamado por Oskar de "o pior dia".

 

A mãe, interpretada por uma apagada Sandra Bullock, vive uma relação conflituosa com o menino - em determinado momento, ele chega a dizer que preferiria que ela tivesse morrido no lugar do pai.

Um ano passado após a morte de Thomas Schell, Oskar encontra uma chave dentro de um envelope. No papel, a palavra "Black". O garoto presume que está ali um enigma deixado pelo pai e sai em busca das 472 pessoas na cidade com o sobrenome "Black", esperando que uma delas lhe diga o que fazer. Na busca, Oskar encontra um aliado, seu avô. Após passar anos desaparecido, o homem, que não conheceu o filho, embarca na missão. O ator Max Von Sidow dá vida brilhantemente ao personagem, que não fala por causa de um trauma e se comunica por bilhetes.

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