AP Photo/Evan Agostini
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Independência da Escócia divide comunidade artística do Reino Unido

Celebridades, intelectuais e artistas escoceses apoiam, na maioria, a independência do país, que será votada na próxima semana

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12 Setembro 2014 | 11h14

LONDRES - A batalha pela independência da Escócia não está nada fácil. No lado artístico, o "Sim" tem James Bond e o "Não" tem Harry Potter.

O ex agente 007 Sean Connery é um nacionalista escocês há um bom tempo (apesar de morar nas Bahamas). No início deste ano, ele defendeu a independência escocesa e os "valores democráticos para que o povo da Escócia seja o melhor guardião para seu próprio futuro".

Do outro lado está a escritora J. K. Rowling, inglesa que vive em Edimburgo. Ela disse que a "independência pode ser um engano histórico" e doou um milhão de libras para a campanha do "Não".

Connery e Rowling estão entre as muitas estrelas britânicas envolvidas publicamente com a batalha, que deve ter fim na próxima quinta-feira, 18, com o referendo popular - apesar de especialistas preverem que a influência deles pode ser limitada.

Celebridades pró-independência incluem o ator e produtor Gerard Butler, membros da banda Franz Ferdinand e o autor de Trainspotting Irvine Welsh, que meio que brincou que "a União é o jeito natural de impedir os escoceses de dominarem o mundo".

Alan Cumming, que interpreta o médico Eli Gold em The Good Wife, voou da sua temporada na Broadway para fazer campanha do "Sim" nesta semana. "É um momento histórico para todos nós, agora temos a chance de ter nosso próprio destino nas nossas mãos", disse.

Outras estrelhas decidiram que a Escócia e o resto do Reino Unido estão, nas palavras da campanha, melhor juntos ("Better Togheter").

O cantora Susan Boyle, que ainda vive no vilarejo escocês onde cresceu, planeja votar "Não", e disse ao jornal escocês Sun que "nós ainda conseguimos reter nossa orgulhosa identidade sendo parte do Reino Unido".

O ex-técnico do Manchester United Alex Ferguson disse que escoceses que como ele vivem na Inglaterra "não vivem em um país estrangeiro, mas sim em outra parte da família do Reino Unido".

O sociólogo Ellis Cashmore, autor do livro Celebrity Culture, disse que as opiniões das celebridades terão um pequeno impacto na votação. "As celebridades são mais efetivas para influenciar pessoas quando o problema central não é proeminente para os votantes", disse, citando campanhas do U2 Bono e de Chris Martin, do Coldplay, para aumentar o conhecimento sobre a fome e conflitos em países em desenvolvimento.

Cashmore disse que as pessoas na Escócia e no Reino Unido já estão preocupadas com a questão da independência, então as intervenções das celebridades têm pouco impacto, e podem até ter efeito contrário.

"Se tornou como um concurso de tortas: as primeiras dentadas foram saborosas, mas agora nós estamos ficando enjoados com o número de celebridades que estão falando de um assunto que suspeitamos que eles não entendem", comparou.

A ideia de uma nova e energizada nação, livre da sombra do vizinho maior, a Inglaterra, tem um grande apelo aos artistas, e a independência tem amplo, porém não unânime, apoio da comunidade criativa da Escócia.

Mais de 1,3 mil escritores, músicos e artistas escoceses assinaram uma carta argumentando que a independência iria desencadear liberdade criativa. "Nós estamos votando 'Sim' porque nós imaginamos um país melhor", diz a carta. "Agora, queremos construí-lo."

No círculo de artistas na Grã-Bretanha, o patriotismo está fora de moda há algum tempo. Mas o prospecto de uma ruptura acordou uma afeição pelo Reino Unido (Estado formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte).

A campanha "Vamos Ficar Juntos" (Let's Stay Togheter) recrutou vários artistas, como Mick Jagger, Paul McCartney, Simon Cowell, Judy Dench, Helena Bonham Carter e Patrick Stewart para assinar uma carta aberta argumentando que "o que nos une é muito maior do que o que nos divide".

A visão deles foi ecoada por David Bowie - inglês que vive em Nova York - que enviou uma mensagem no prêmio de música britânica neste ano: "Escócia, por favor continue conosco".

Entre o crescente clamor, alguns dos nomes mais conhecidos da Escócia preferiram manter suas opiniões para si mesmos.

O jogador de tênis Andy Murray e o escritor Ian Rankin se negaram a comentar o assunto. O ator de X-Men James McAvoy também disse que vai manter seu voto para si mesmo, mas desafiou os líderes rivais do "Sim" e do "Não", Alex Salmond e Alistair Darling, no desafio do balde de gelo para caridade. Unidos uma vez, ambos aceitaram o desafio.

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