Incorreto, cheio de autoironia, mas melodramático

Baseado no belo livro de Modercai Richler, Minha Versão do Amor mistura ingredientes pouco usuais em receitas de comédias românticas, gênero em que alguns enquadram esse filme de Richard J. Lewis. Seu protagonista, Barney Panofsky (Paul Giamatti), é o que se poderia chamar de protótipo do politicamente incorreto: bebe, fuma e prevarica. Mesmo assim (ou talvez por isso mesmo), conta com a simpatia do público.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2011 | 00h00

Mais ainda: Barney (o título original do filme é Barney"s Version) enfrenta uma acusação de homicídio e, em crise, revê sua vida em flashback. Relembra seus altos e baixos e, inclusive, sua grande história de amor com Miriam (Rosamund Pike). O filme é abertamente comercial e não deixa de ter interesse. Um divertimento de qualidade. Giamatti é grife do cinema indie e ator envolvente. Em especial num tipo de papel que domina, quando tenta parecer sério... sem se levar muito a sério. Escola Woody Allen, por assim dizer.

Mas aqui ele terá de enfrentar outros desafios. Sua história se estende por várias décadas e o personagem precisará encarar o desafio da decadência - sempre um problema para o ator. Vai bem, mesmo porque o roteiro tira o sumo de um livro bastante acima da média e o coloca à disposição do diretor. É pena que Lewis decida, na última parte da trama, deixar de lado o tom autoirônico e satírico, e desabe para um melodrama lascado. Daquele tipo destinado a "resgatar" o personagem, como se isso fosse necessário. Nesse ponto, o filme desaba um pouco.

Se Giamatti vai bem, quem dá show como pai de Barney é Dustin Hoffman, no papel de Izzy Panofsky, um policial meio cafajeste e bem engraçado. Ator é ator.

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