Incêndios, entre a política e a família

Aberturas de testamentos em geral dão bons inícios de história. Em especial quando os desejos do defunto parecem excêntricos. Por exemplo, os irmãos Jeanne (Mélissa Desormeuax- Polin) e Simon (Maxim Gaudette) descobrem que, segundo as ordens da mãe que acaba de morrer, devem entregar dois envelopes lacrados - um ao pai e outro ao irmão. Até aquele momento, pensavam que o pai estivesse morto, como a mãe sempre sustentara, e desconheciam a existência desse irmão misterioso. Tal é o ponto de partida, bastante promissor, de Incêndios, de Denis Villeneuve, candidato canadense ao Oscar.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

Pela narrativa, conheceremos a vida aventurosa, e muito sofrida - da mulher morta, Nawal Marwan (Lubna Azabal), em seu país de origem, situado na ebulição permanente do Oriente Médio. O filme, portanto, flutua entre o presente, com a busca dos filhos, e o passado, contando a vida da mãe, agora morta.

Como em todo filme desse tipo, a questão será: até onde o nosso desejo, ou dever, de conhecer nossas raízes pode levar? E também, como de hábito, um dos interessados, no caso Jeanne, quer saber de tudo, enquanto o outro, Simon, prefere não mexer muito com o passado, pressentindo que a verdade pode ser dura demais de encarar.

A determinação de tudo saber, sejam quais forem as consequências, dá impulso à história. Mas é pena que depois ganhe contornos rocambolescos e melodramáticos que acabam por prejudicá-la. Não deixa de ter grandeza em alguns momentos especiais, mas o desfecho que apresenta ao espectador parece tão ardilosamente folhetinesco que chega a ser inverossímil. Isso lhe tira um pouco a chama.

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