Incêndio destrói arte contemporânea peruana

Depois das mortes e das depredações que se seguiram aos protestos da semana passada em Lima, no Peru, por ocasião da terceira posse do presidente Alberto Fujimori, o país foi hoje abalado por mais um desastre: confirmou-se que 176 obras dos mais importantes artistas plásticos peruanos foram perdidas no incêndio que destruiu o Banco de la Nación.Segundo o historiador de arte Ricardo Estabridis, o conjunto de obras perdidas pode ser considerado a coluna vertebral da pintura contemporânea peruana.Entre elas, estavam obras de Daniel Hernández, Carlos Baca Flor, José Sabogal,Julia Codesido, Camilo Blas, Enrique Camino Brent, Teodoro NúñezUreta, Sabino Springett, Alberto Dávila, Fernando de Szyszlo e TilsaTsuchiya, reunidas como patrimônio cultural do país.Hernández foi o fundador da Escola Nacional de Belas Artes e um dos pintores mais importantes do período republicano no Peru. Sabogal foi o primeiro artista peruano do século 20 a buscar uma identidade nacional e registrou em numerosos trabalhos personalidades como o poeta César Vallejo.Outras entidades estatais também tiveram suas coleções atingidas pelos protestos, e assim alguns artistas tiveram suas obras perdidas em mais de um endereço. É o caso do artista independente Springett, que teve tanto sua obra na Corte Superior de Justiça como a que ficava no Banco de la Nación destruídas.A causa do incêndio, presumivelmente disparado por bombas molotov, ainda é polêmica em Lima. Muitos acreditam que um par de bombas caseiras não poderia provocar tamanha destruição ao prédio, que deverá ser demolido em breve. Oposicionistas querem retardar esta demolição, exigindo que peritos internacionais inspecionem o prédio e determinem a verdadeira causa do incêndio. Garantem que o serviço de inteligência peruano infiltrou agentes para perturbar e descaracterizar o protesto.

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