Fred Jordão/Divulgação
Fred Jordão/Divulgação

Inauguração está prevista para 13 de dezembro

Museu dedicado a Luiz Gonzaga terá caráter multidisciplinar

JULIO MARIA/ ENVIADO ESPECIAL/ RECIFE, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h13

Gilberto Gil garante que ele não morreu. "O Lua? Não sente que ele está vivo, e são 100 anos de vida?", diz alto, com as mãos para cima. Pois só agora, um século "de vida" depois, Luiz Gonzaga (1912-1989) está prestes a ganhar seu espaço mais digno. O Museu Cais do Sertão - Luiz Gonzaga, uma estrutura de 7,5 mil m² erguida na zona portuária do Recife, ao lado do Marco Zero, está em fase de finalização. O primeiro módulo, de 2,5 mil m², tem inauguração prevista para 13 de dezembro, uma sexta-feira, quando o homem que colocou a cultura de um povo inteiro no mapa completaria 101 anos.

É como se Pernambuco assumisse, enfim, seu filho mais ilustre. O museu, idealizado durante a gestão de Juca Ferreira como ministro da Cultura de Lula, ganhou apoio do Governo Estadual de Pernambuco, fez convênio com a Fundação Gilberto Freyre e entrou no status 'prioridades'. "Estamos com as obras adiantadas", garante o secretário de desenvolvimento econômico, Márcio Stefani Monteiro. Ao custo de aproximadamente R$ 100 milhões, o Cais do Sertão ocupará dois módulos na principal região turística da cidade, às margens do Rio Capiberibe. O Estado fez a primeira visita ao interior do projeto, guiado pela curadora e diretora de criação do Cais, Isa Grinspum Ferraz, responsável também pela idealização do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

À entrada, um juazeiro "transferido" do interior do Estado luta para se adaptar ao novo terreno. A ideia é tê-lo para receber os visitantes em sua sombra. "Trouxemos esta árvore para cá e aí está ela, às margens de um rio. Fizemos até um filme sobre esta viagem ", conta Isa. A cada ambiente, ela descreve o conteúdo a ser montado e cita um dos nomes de sua equipe, responsável pela área.

As Joias da Coroa devem provocar um grande impacto visual de abre-alas, com instrumentos e roupas de Gonzaga expostos como se flutuassem dentro de uma imensa vitrine, com iluminação dramática pensada por Guilherme Bonfanti. Um pouco mais adiante, chega-se ao Útero, uma estrutura circular na qual filmes serão projetados nas paredes e no chão. "Vai ser uma imersão total na vida do sertanejo", diz Isa, que acredita ser este o ponto no qual o visitante se "descontamina" do mundo exterior para iniciar sua viagem. O filme sobre a vida dos sertanejos será do cineasta Marcelo Gomes, de Cinema, Aspirinas e Urubus e Madame Satã.

Com exceção do Útero, as seções internas não terão divisórias entre si. Apenas um riozinho que representa o Rio São Francisco, parecido com o riacho natural do Sesc Pompeia, em São Paulo, corta todo o andar térreo do módulo. Pelo passeio vê-se uma maquete de 3 metros representando a topografia do sertão, com animações de Leandro Lima e Gisela Mota, e a linha do tempo do baião, o patrimônio inventado por Gonzaga. Em uma sala menor, o visitante fica encostado à parede para entrar em outra viagem. Captadas pelo cineasta Carlos Nader, projeções em tamanho natural no espaço chamado Túnel das Origens sobrepõem o vaqueiro entoando seu aboio, o rabequeiro, o sanfoneiro de oito baixos e o tocador de pífano no universo do Rei. No espaço ao lado, o dos Novos Baiões, o mesmo recurso é feito para mostrar o povo que bebeu em Gonzagão, Tom Zé, Sivuca, Otto, DJ Dolores. "As pessoas não podem sentir as vibrações que sentirão aqui pela internet. Este será um espaço de vivência", diz Isa. Sobre Gonzaga, o rei que não morre, como diz Gil, ela fala: "O folclore não interessa, está congelado. O que Gonzaga canta está vivo, sua música é de agora." E qual seria a imagem que a realizaria no dia da inauguração? Isa sorri: "O museu lotado".

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