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Imre Kertész anuncia que vai parar de escrever

O escritor húngaro Imre Kertész, prêmio Nobel de Literatura em 2002, anunciou que deixará de escrever depois de considerar resolvido o principal tema de sua obra. "Eu não quero escrever. A obra que está tão relacionada ao Holocausto está concluída para mim", disse o autor do livro Sem Destino, ao site húngaro index.hu, ontem. Esse é o segundo anúncio de fim de carreira em menos de dez dias. Semana passada foi a vez do escritor Philip Roth, autor de obras premiadas como O Complexo de Portnoy (1969) e Operação Shylock (1993).

ALINE VIEIRA COSTA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h14

Sobrevivente dos campos de extermínio de Auschwitz e Buchenwald e residente em Berlim, Kertész é o primeiro escritor húngaro a ganhar o prêmio Nobel de Literatura, por contas das novelas e ensaios em que plasmou experiências do Holocausto. Porém, aos 82 anos ele assegura que na Alemanha lhe compreendem melhor que na Hungria. "O destino é inescrutável", confessou ao semanário alemão Der Spiegel, ao indicar que é justamente na Alemanha que seu legado está preservado, com a abertura, em Berlim, de um arquivo com os manuscritos de suas obras, incluindo Sem Destino (adaptado em 2005 para o cinema por Laslos Koltai), Kaddish e Fiasco, entre muitos outros documentos.

Em entrevista ao The New York Times - e publicada pelo Estado em 2003 -, Kertész disse que se tornou escritor não para apresentar um testemunho sobre o que vivenciou. A motivação foi a sensação de que tinha saído de um campo de concentração para outro, quando a Hungria sucumbiu ao poder soviético.

"Foi em 1955, eu estava num corredor e ouvi passos atrás de mim. Os passos se tornaram mais barulhentos e eu tive essa visão de pessoas marchando atrás de mim.  Era um grupo que representava esquecimento, conformismo, resignação.  Pertencer a esse grupo em marcha significa perder minha identidade.  Eu tinha de sair da linha", afirmou.

Na mesma entrevista, Kertész se recusa a ver o Holocausto na forma exclusiva de um conflito entre alemães e judeus. "O Holocausto não é o caso de um erro eventual.  Ele pertence à história europeia, e com ele, os valores europeus do Iluminismo entraram em colapso". Esse visão, para a Academia Sueca, é também o que diferencia os textos de Kertész dos produzidos por sobreviventes do Holocausto. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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