Improvisos, clones e escola primária nos teatros

As estréias de Amor de Improviso e Um Número e a reestréia de Aurora da Minha Vida, nos teatros de São Paulo, oferecem três opções variadas para o fim de semana. Estar aberto ao improviso deve ser a atitude dos atores e também dos espectadores no espetáculo Amor de Improviso, da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, dirigida por Marcelo Lazzarato, que estréia amanhã no Viga Espaço Cênico. Cada ator tem um texto fixo, bem curto, de autores como Peter Handke, Clarice Lispector, Hilda Hist ou Thomas Mann, entre outros. Mas a idéia é de que esses textos podem render cenas bem diferentes, a cada noite. No palco, além dos oito atores da companhia, estará também Lazzaratto, cuja interferência - como a trilha musical escolhida ou a oferta de objetos variados aos atores, como uma carta ou um revólver - será fundamental para estimular a criação. "Escolhemos o tema do amor para facilitar a comunicação, uma vez que nesse trabalho não há linearidade", diz Lazzaratto, diretor de outras montagens da companhia como Loucura e A Hora em Que não Sabíamos Nada Uns dos Outros, de Peter Handke. Clonagem - Um pai ressentido com a agressividade do filho de 4 anos, resolve cloná-lo, e em seguida abandoná-lo, para criar de outro jeito o novo filho. Porém muito mais tarde, descobre que os médicos fizeram nada menos do que 20 outros clones do garoto. Para piorar a situação, terá de defrontar-se com a revolta do filho legítimo rejeitado e do clonado. A partir de tal trama a inglesa Caryl Churchill discute temas de qualquer agrupamento humano, como afeto, formação infantil, relações familiares e identidade na peça Um Número.Com um ótima equipe de criação, Um Número estréia amanhã no Sesc Belenzinho, depois de ter integrado o 8.º Cultura Inglesa Festival. A peça estreou em Londres em 2002 sob direção de Stephen Daldry (mesmo diretor do filme As Horas). Convidada para a direção, Bete Coelho optou por ampliar ainda mais as leituras do texto. "Achei que a peça estava um pouco presa às questões daquela família." Assim, a ação ganhou um espaço público, onde várias pessoas transitam.Tempos de colégio - Acomodados em carteiras escolares duplas, uma turma de alunos do antigo curso primário ouve da professora: "Hoje nós vamos comemorar o Dia das Mães. Os que têm a ventura de ter mãe viva vão ganhar uma flor vermelha. As mães que já foram chamadas para o céu, serão lembradas por seus filhos com uma flor branca. Levantem a mão os que vão ganhar as flores vermelhas." Todos levantam a mão, porém começa um alvoroço na sala e um órfão, que mentira, logo é dedurado pelas outras crianças. Tal cena, por incrível que pareça, foi realmente vivida pelo dramaturgo, diretor e cenógrafo Naum Alves de Souza e, por isso mesmo, faz parte da peça A Aurora da Minha Vida, que ele volta a dirigir 23 anos após a primeira montagem. O espetáculo estréia amanhã no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo. Desde sua estréia, há duas décadas, esse retrato ácido, mas também pleno de humor e poesia dos primeiros anos escolares, invariavelmente emociona o público. A peça tornou-se não só um dos textos mais encenados em território nacional, como vem sendo representado com igual sucesso em países de cultura tão distintas como Canadá e Paraguai, tendo sido traduzido em francês, inglês e espanhol. "Escrevi Aurora a partir das minhas lembranças." A julgar pela peça, não foi uma experiência feliz para o autor. "A escola de minha infância era muito repressora, mas claro que tinha qualidades. Jamais esquecerei o professor do 1.º ginasial, de ortografia, que percebeu minha vocação e me estimulou a ler e escrever. Mas, de forma geral, as lembranças são mesmo ruins."Amor de Improviso - Viga Espaço Cênico, Rua Capote Valente, 1.323, Pinheiros, 3801-1843. Sexta e Sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. R$ 15. Até 23/8. Estréia amanhã, somente para convidados Um Número - Sesc Belenzinho, Galpão 2. Avenida Álvaro Ramos, 915, 6602-3700. Sábado e domingo, às 21 horas. R$ 15. Até 26/9 A Aurora da Minha Vida - Teatro Bibi Ferreira, Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 931, Bela Vista, 3105-3129. Sexta, às 21h3;, sábado, às 19h30 e 22h30; domingo, às 18 horas. R$ 30 (sexta), R$ 40 (domingo) e R$ 50 (sábado). Até 31/10

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