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Imposto

Fiscal toca a campainha. Homem abre a porta.

Fábio Porchat, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2015 | 02h00

FISCAL

Boa tarde, eu sou do governo e vim coletar o Impár.

HOMEM

O quê?

FISCAL

O Impár, que é o imposto do ar. A partir de agora, o cidadão paga pelo ar que respira.

HOMEM

Amigo, o oxigênio é público. 

FISCAL

Se é público, quem cuida é o governo. Já vi que, desde que eu cheguei, o senhor já respirou umas 15 vezes. Cem reais. Ou o senhor pode fechar o pacote de 200 reais que já inclui o imposto sobre a emissão de gás carbônico.

HOMEM

Olha só, eu não vou pagar nada.

FISCAL

Então, eu vou ter que pedir pro senhor parar de respirar.

HOMEM

Mas daí eu vou morrer.

FISCAL

Aí, então, o senhor tem que pagar o Importe, o imposto sobre a sua própria morte no valor de 600 reais. É mais caro porque é taxa única.

HOMEM

Isso é um absurdo. Querido, eu não vou pagar nenhum centavo. Se você quiser, me processa, então.

FISCAL

A ordem é mandar prender.

HOMEM

Então me prende.

FISCAL

Aí eu vou precisar te cobrar o Imprende.

HOMEM

Olha só...

FISCAL

O senhor tem o CPMS pago aí?

HOMEM

Do quê?

FISCAL

É que eu tô vendo que o senhor tá com um bronzeado bonito e agora o governo tá cobrando imposto em cima da luz solar. É o Comprovante de Pagamento da Melanina Solar.

HOMEM

Querido, deixa eu te perguntar: Igreja paga imposto?

FISCAL

Não.

HOMEM (pega dois gravetos no chão, forma uma cruz)

Tá fundada a minha. O senhor não vai colaborar com uma oferta?

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