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''Importante é que as pessoas sintam''

Apichatpong Weerasethakul explica por que não espera que o público entenda sua premiada fantasia Tio Boonmee

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

Foram diversos encontros com Apichatpong Weerasethakul, para falar de Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas. O primeiro foi em Cannes, em maio passado, horas antes de ele saber que o júri presidido por Tim Burton lhe outorgara a Palma de Ouro. Depois, em Buenos Aires, durante a realização do Festival 4 + 1. Em seguida, a master class que Apichatpong deu na capital argentina. Ele sabe que seu nome é complicado para os ouvidos ocidentais e o simplificou-o para "Joe". Tio Boonmee estreia hoje nos cinemas brasileiros. Vejamos o que Joe tem a dizer.

Espíritos que assumem a forma de animais, tio Boonmee que está morrendo. Seu filme é estranho. Como você o explica?

É o pedido que mais me fazem. Acho que é mais importante tentar embarcar no filme como experiência sensorial, ou emocional. Cada vez que tento explicá-lo, a explicação sai diferente. Trabalhei três anos e meio no projeto. Fundamentalmente, diria que é uma obra de amor, para amorosos do cinema.

A história é verdadeira, mas parece fantástica. O que é real em Tio Boonmee?

Quando li o livro do monge budista tailandês, ele já havia morrido. A história de suas vidas passadas me atraiu porque passei minha infância num hospital. Meus pais eram médicos residentes. As outras crianças e eu não tínhamos ideia da dor nem do sofrimento. Brincávamos no necrotério. O livro sobre Tio Boonmee me devolveu aquelas sensações. Não quero dizer que acreditasse 100% naquelas histórias, mas elas me atraíam. À medida que avançava, me interessei cada vez menos pela realidade, se era possível ou não. Como em toda ficção, tomo liberdades.

Qual a relação do filme com seu projeto Primitive?

Estava no nordeste da Tailândia trabalhando com jovens na aldeia de Nabua, quando li o livro. Nos anos 1960, por conta da violenta repressão política, muita gente morreu na região. Havia um bloqueio das lembranças dos sobreviventes. Tio Boonmee me deu a chave sobre como essas lembranças poderiam vir à tona.

Há um mistério no seu cinema. O caçador e o tigre em Mal dos Trópicos, a princesa que faz sexo com o peixe em Boonmee. De onde vem isso?

Da imaginação. Como digo, não espero que as pessoas acreditem. É mais importante que elas "sintam".

TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS

Nome original: Lung Boonmee Raluek Chat.

Direção: Apichatpong Weerasethakul.

Gênero: Fantasia (Tailândia-Reino Unido-França-Alemanha/ 2010, 113 minutos).

Censura: 18 anos.

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