Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Importância da Cultura como economia criativa é debatida na Av. Paulista

Encontro MicBr, promovido pelo Ministério da Cultura, traz gestores do mundo para falarem como inserir boas ideias e talentos artísticos em rodas econômicas sustentáveis

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 21h14

A ideia no Brasil existe há pelo menos 15 anos. No mundo, Margareth Thatcher, ex-primeira ministra britânica, usou a expressão pela primeira vez em 1983. Anos se passaram e o conceito da “economia criativa”, ainda que mal entendido e mal explicado no Brasil, emerge com força em um momento de instabilidade no setor cultural. Curiosamente, o Ministério da Cultura (MinC), com os dias contados de acordo com o projeto de fusões do presidente eleito Jair Bolsonaro (que já anunciou querer juntá-lo à pasta de Esportes e Educação), realiza a maior discussão anual nesta semana. Até o dia 11 de novembro, especialistas do Brasil e de países europeus e outros latino-americanos participam de palestras e rodadas de negócios da semana do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBr) em vários endereços de São Paulo. Com enfoques que vão da moda à música, dos games ao cinema, o meio cultural surge nos debates como um propulsor econômico com potencial de gerar renda e criar emprego.

O tema ganhou atenção do MinC, que conta com uma Secretaria de Economia Criativa com a missão de promover a “intersetorialidade das políticas públicas de Cultura com as políticas de Educação e formular programas de formação artística, cultural e profissionalizante”, como descreve no site. Seu secretário, Douglas Capela, era um dos debatedores na mesa que falou para a plateia da sala térrea do Itaú Cultural na tarde de ontem (6). Uma experiência que destacou foi do trabalho da secretaria junto a universidades federais em seis estados para levar o conceito de economia criativa para estas regiões. “Cultura não é despesa, mas investimento”

Quando o microfone passou para Diana Daster, a temperatura pareceu elevar. A inglesa Diana é diretora de educação da British Council, uma agência independente do governo britânico que sai pelo mundo fortalecendo laços culturais entre os dois países com apostas em ideias criativas e inovadoras. Usa para isso um fundo chamado de Newton, uma estrutura de investimento que permite que estejam em mais de 15 países parceiros dispostos a promover impactos sociais. Ela disse que o Reino Unido vive neste momento uma tendência crescente de empreendedores criativos que desejam criar empregos e desenvolver potencialidades econômicas sobretudo junto a populações de baixa renda, pensando m em mecanismos reais que proporcionem ganhos para pessoas que não são atendidas pelos meios tradicionais.”

Os números apresentados pelos debatedores são impressionantes. Segundo eles, a economia criativa no Brasil equivale a 2,64% do PIB nacional. O número de brasileiros empregados nessa via chega a 7.726.338. Diana encerrou sua fala dizendo que os ingleses estão abertos a conversas com pessoas que possuem projetos criativos que estejam no universo abrangente dessa nova economia. Na mesma mesa falaram ainda Frederico Cabaleiro, gestor nacional de economia criativa do Sebrae, e Pedro Affonso Ivo Franco, consultor da Tom Fleming Creative Consultancy para América Latina.

Mas há ainda, como levantou Pedro Franco, questões a serem melhor expostas. O que é de fato a ideia de economia criativa no Brasil? Ela seguiria os mesmos parâmetros vistos pelo mundo ou deveria criar a sua própria narrativa? No geral, a proposta, apesar de alguns exemplos concretos apresentados em outras mesas, parece ser distante e baseada em experiências pontuais. Há mais perguntas a serem incluídas nas provocações de Franco. Deve o setor criativo buscar a independência econômica do Estado? Como fazer com que experiências vitoriosas mas pontuais se tornem cadeias maiores de produção?

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