Alex Silva/Estadão
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'Impacto dos cortes significa a diminuição no atendimento', afirma diretor do Sesc São Paulo

Danilo Santos de Miranda comenta MP que reduz em 50% o repasse ao Sistema S e diz que ginásios de unidades poderão ficar disponíveis  para eventuais ações de combate ao coronavírus

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 14h32

Após a Medida Provisória 932/2020 que reduz à metade a contribuição das empresas para o Sistema S, por três meses, o Sesc São Paulo vem encontrando obstáculos para realizar ações no combate ao novo coronavírus. Desde o dia 17 de março, as 43 unidades no Estado seguem fechadas.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo chegou a propor um plano de combate à pandemia ao governo, envolvendo o Sesc e Senac, no valor de 1 bilhão. O alvo do plano seria manter a capilaridade de unidades em municípios carentes de estrutura. “A ação do Sesc sempre foi educativa e pedagógica, importante no enfrentamento desse problema”, explica o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos Miranda, em entrevista ao Estado.

Com os cortes, o diretor vê impossibilidade de que as unidades possam oferecer ajuda. “Não deixa de ser uma contradição”, afirma. “O corte significa diminuir a capacidade do nosso atendimento.” A redução da verba do Sistema S representaria R$ 2,2 bilhões, durante os três meses de vigência.

Em São Paulo, Miranda elenca as grandes instalações de unidades na periferia, como o Sesc Itaquera. “Temos grandes ginásios que podem servir nesse momento, o que não é possível fazer é o Sesc construir estruturas de atendimento, mas isso pode ser realizado em conjunto com o município e o Estado.”

Em geral, o sentimento é de devastação, desabafa o diretor. “Ainda estamos considerando o tamanho do impacto. O desejo é que as unidades voltem a funcionar tão logo seja possível.” 

Na capital, o segmento cultura que ocupa grande parte da programação do Sesc será um dos grandes afetados. “Lamentamos por todos os trabalhadores da cultura, impossibilitados de atuar nesse momento. A paralisação impede que eles consigam receber por seu trabalho. Os idosos também nos preocupam, por estar na faixa de risco do coronavírus. Estamos tentando acompanhar essa população de longe.”

A boa notícia é que a instituição retomou com força um projeto social de doação de alimentos, o Mesa São Paulo, que segue também como Mesa Brasil. Empresas cadastradas podem doar mantimentos que serão distribuídos para famílias e instituições. Em 2019, foram 5,5 milhões de quilos de alimentos arrecadados. Em janeiro deste ano, o projeto já recolheu mais de 460 mil quilos de alimentos.

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