Divulgação
Divulgação
Imagem Direto da Fonte
Colunista
Direto da Fonte
Sonia Racy
Conteúdo Exclusivo para Assinante

'Imóveis de luxo estão parados'

O consultor e corretor de imóveis Marcelo Gurgel do Amaral diz que a melhora do mercado de imóveis ocorre apenas em camadas de classe social mais baixa, com as moradias de necessidade

O Estado de S.Paulo

31 Março 2018 | 08h26

Circulam na praça inúmeras declarações sobre uma melhora na comercialização de imóveis na cidade de São Paulo. "Não é verdade", afirma um dos mais conhecidos e discretos corretores da praça, Marcelo Gurgel do Amaral. Segundo sua avaliação, "o Brasil que navega com tranquilidade é o da chamada Faixa 1, moradia de necessidade. Ou seja, os imóveis do Minha Casa Minha Vida e outros programas na mesma vertente. O de luxo está parado". Aqui vão os melhores momentos da conversa.

Porque não saem negócios com imóveis de luxo? 

As informações sobre crescimento econômico chegam com muita velocidade aos clientes mais ricos. Eles estão muito atentos e não querem colocar um mar de dinheiro em uma moradia até que as coisas fiquem mais claras, até os preços voltarem à realidade. E eles andam lá no alto. (Segundo dados do Embraesp, o metro quadrado médio no Jardim Europa bateu em R$ 24,8 mil em fevereiro. E no Itaim-Bibi, R$ 32 mil.

Quando é que acontece a venda de uma casa ou apartamento de alto luxo? 

Por necessidade. Por exemplo, se o sujeito casa de novo, ou aumenta a família...

Ou seja, os imóveis de alto luxo, na capital, estão à venda por preços irrealistas.

Um apartamento em SP não pode valer o mesmo metro quadrado de Paris nem o mesmo metro quadrado de Nova York. Hoje, se você quiser perder dinheiro, construa imóveis para ricos. É o pior negócio do mundo.

Quando vai melhorar?

O dinheiro grande vai voltar ao mercado imobiliário quando houver novamente segurança. Precisamos saber quem vai ser eleito presidente no final deste ano. Contaram uma grande mentira durante 10 anos, e todo mundo que acreditou acabou comprando imóvel a preços absurdos. O Brasil que não vai parar é o negócio dos imóveis para classes menos favorecidas, e iniciativas como loteamentos de primeira moradia, fundos investindo em armazenamento, onde a renda é razoável.

E o zoneamento da cidade?

Esse é um assunto muito delicado, que precisa ser muito bem estudado. O zoneamento nunca agrada a gregos e troianos. Alguém sai prejudicado, alguém sai ganhando.

Mais conteúdo sobre:
imóvelmercado imobiliário

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.