‘Imagine mortos-vivos na praia de Ipanema’

Patrocinado em parte pela produtora de Brad Pitt , com orçamento inicial de U$170 milhões, 'Guerra Mundial Z', que teve mudanças no roteiro e refilmagens, ultrapassou os U$200 milhões

Pedro Caiado / Londres, Especial para o Estado

28 de junho de 2013 | 07h02

"O Brasil é um lugar muito especial onde as pessoas são muito vivas." As palavras são do alemão Marc Forster, diretor de Guerra Mundial Z. "Imagine, zumbis saindo da praia de Ipanema e invadindo Copacabana", brinca o diretor em entrevista ao Estado em Londres. Zumbis a parte, o filme tem ganhado publicidade por motivos muito além dos mortos-vivos.

O longa foi patrocinado em parte pela produtora de Brad Pitt , com orçamento inicial de U$170 milhões. Por conta de mudanças no roteiro e refilmagens, ultrapassou os U$200 milhões. O jornal britânico Daily Mail apontou U$400 milhões, enquanto a revista americana Vanity Fair garante que U$200 milhões foram gastos somente para refilmagem dos últimos 40 minutos, "por conta da insatisfação dos executivos". "Quando terminamos de filmar, percebemos que poderíamos fazer melhor. Perguntamos ao estúdio se poderíamos refilmar e eles nos deram suporte", contou Forster. 

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Aurora dos zumbis

O diretor já esteve na direção de grandes filmes, como 007 Quantum of Solace, e realizou produções menores, como O Caçador de Pipas. Por que escolheu um filme de zumbis? "Zumbis são uma excelente crítica ao consumismo", explica. "A ideia de não estar acordado para o que acontece é uma boa metáfora. O que é individualidade? Ou todos nós viramos zumbis?", pergunta-se. Forster elabora o argumento que liga a ideia de superpopulação aos zumbis. "O mundo está super povoado. Somos sete milhões hoje e seremos dez milhões até 2050. O planeta não vai ter recursos suficientes para sustentar todos nós, e vamos quebrar se continuarmos assim. Iremos atrás dos últimos recursos que tivermos, assim como eles. Meio sem cérebro, sem educação."

Durante as filmagens, notícias deram conta do desentendimento entre Brad Pitt e o diretor. Segundo o Daily Mail, eles chegaram a se comunicar somente através de mensagens. "Grandes atores têm fortes ideias e nós as exploramos juntos. Algumas funcionaram, outras não. Mas não há o certo e o errado. Eu tenho minha visão e ele tem a dele", diz. Seria Pitt aberto a ideias? "Sim, muito", diz, visivelmente desconfortável.

Damon Lindelof (roteirista de Prometheus e Lost) foi contratado para rescrever cenas inteiras que, por motivos estratégicos, foram cortadas. Em uma delas, os personagens especulavam se a pandemia de zumbis havia surgido na China. "Foi só uma linha, não nos importamos em cortar", desconversou. Especula-se que outras, em Budapeste, foram descartadas devido ao teor político. Forster discorda. "Eu não gostei do final; mas, não havia nada de político naquelas cenas", rebateu.

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