Imagens de Cartier-Bresson mostram outro lado de Roma

A mostra Henri Cartier-Bresson: Homenagem a Roma - Retratos, realizada pela Fondation Henri Cartier-Bresson, mostrará a eterna cidade imortalizada pela lente do famoso fotógrafo francês. As fotografias serão expostas pela primeira vez nesta quarta-feira, no Museo di Roma di Palazzo Braschi.Cartier-Bresson retrata as periferias de Roma, ainda no início de sua formação, as praças desertas, as crianças brincando, enfim, a vida cotidiana da cidade.Esta exposição, explica a curadora Alessandra Mauro, é a primeira mostra organizada pela Fundação e a única fora da França. Será uma homenagem à cidade que o artista tanto visitou, especialmente nos anos cinqüenta. A primeira visita foi em 1933, quando Cartier-Bresson abandonou a pintura para se dedicar à fotografia e resolveu visitar os países mediterrâneos na companhia de uns amigos. Tratando-se de uma exposição em Roma, disse Alessandra, a diretora Agnes Sire encontrou imagens lindíssimas da cidade. Porém, somente uma ou duas são do ano de 1933, a maioria das fotos foi tiradas na década de 50, quando o artista passa a ter um olhar participativo na vida cotidiana, revelando os jardins escondidos no coração da cidade, os ritmos lentos de uma cidade mediterrânea, as lojas, os trabalhadores, o clima sagrado das igrejas e a emoção durante a eleição de um novo Papa.O ano é 1958, um antes de uma série de visitas realizadas à periferia romana junto com Pier Paolo Pasolini, com quem descobre uma Itália diferente, mas sempre cheia de sonhos, que Cartier-Bresson retrata com um jogo profissional de luzes e sombras que contornam as cenas.A segunda sessão da mostra é dedicada a uma seleção de 94 retratos, na maior parte dedicados aos protagonistas da vida artística, cultural e política do século 19. Realizadas sem nenhum artifício, as imagens restituem personagens em sua essência humana, colhendo nos gestos e nos olhares, a profundidade da alma. Entre os retratos estão desde Carl Gustav Jung até Christian Dior, de Samuel Becket a Marcel Duchamp e de Roberto Rossellini a Pablo Neruda.

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