Il trovatoreno Rio: enfim, o 'novo' Municipal

Após um ano e meio fechado para obras e de funcionar parcialmente durante este mês, o Teatro Municipal do Rio será reaberto em sua plenitude, para o público, no sábado, às 20 horas. Para marcar este seu retorno, uma supermontagem: a ópera Il Trovatore, de Giuseppe Verdi, sob direção de Bia Lessa. São 80 atores em cena, 100 integrantes do coro do teatro, 8 cenários, figurinos de Kalma Murtinho, e uma concepção que privilegia o libreto de Salvadore Cammarano. As legendas serão projetadas não só no espaço tradicional, mas também em outros pontos.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

"Queria a palavra em destaque, porque esse libreto é muito rico. Tem o fato de a gente não entender o italiano, mas acho que mesmo se estivéssemos na Itália eu colocaria a legenda", diz Bia, que está em sua quinta ópera, a quarta encenada no Municipal, depois de Suor Angelica, de Puccini, Pagliacci, de Leoncavallo, e Cavalleria Rusticana, de Mascagni. Os ensaios começaram no dia 3. Os solistas, oito atores/cantores brasileiros e estrangeiros que se revezam nos papéis de Leonora, a heroína, Azucena, a cigana, mãe de Manrico, o trovador, e o Conde di Luna, o antagonista, chegaram depois.

A reportagem do Estado acompanhou o ensaio da sexta-feira, já com parte dos figurinos: azul para os nobres e seus servidores, vermelho para os ciganos e cinza para os religiosos. "Nós nos libertamos do figurino tradicional. Tinha de ser algo moderno para combinar com a direção da Bia", conta Kalma, 60 anos de teatro e em sua segunda ópera. Em vários momentos, atores aparecem suspensos por cabos de aço, compondo o cenário; numa cena em um convento, 14 deles formam uma cruz humana.

Não que Bia tenha subvertido totalmente a história, baseada no romance El Trobador, do espanhol Antonio Garcia Gutierrez, e ambientada no século 15. A ópera estreou em 1853 e está entre as mais populares de Verdi. "Tem um olhar contemporâneo, mas não pedi a eles nenhum malabarismo. Importante é mostrar o mundo dos ciganos e dos nobres, a impossibilidade de os diferentes coabitarem. Essa disputa é algo contemporâneo", explica.

Il Trovatore será o primeiro grande espetáculo no Municipal desde que suas portas se abriram ao público, no dia 1º de maio. Hoje, a programação é especial: trata-se da festa oficial de reabertura, e o presidente Lula e o governador do Rio, Sérgio Cabral, são aguardados, além de outras autoridades.

No programa, trechos da ópera, além de Villa-Lobos e Carlos Gomes. Segundo o maestro Silvio Viegas, regente da sinfônica do teatro, a troca do estofamento das poltronas (era de couro marrom e agora é de veludo cor de goiaba) e do piso (tirou-se o carpete e ficou o revestimento em madeira) fazem a diferença: o som está reverberando menos durante os ensaios, o que aproxima o que se ouve com o teatro vazio do som durante os espetáculos, com as poltronas ocupadas.

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