Il Fornaio d?Itália, 10 anos de qualidade

Quem quiser ir ao muito bom Il Fornaio d?Itália deve telefonar antes não só para ficar sabendo quais são os pratos do dia, mas também para fazer a reserva. Isso porque o restaurante funciona em horários nada convencionais (do meio-dia às 14h30 e das 19h30 até 21h30, apenas de segunda a sexta), não tem cardápio fixo e é o único que incentiva e, o que é mais importante, respeita as reservas, o que é um hábito dos mais saudáveis e civilizados.É mesmo paradoxal que um dos restaurantes mais informais da cidade seja o único a aceitar e respeitar reservas. Mas essa não é a única de suas particularidades.O Il Fornaio d?Itália é bem simples, claro, arejado, com um pequeno salão e um avarandado protegido dos olhares da rua por uma cortina branca e com uma grande e limpa cozinha ao lado. Ali, reina Vito Simone, o dono faz-tudo, que controla as compras, vai para a cozinha e ainda comanda o salão, onde anuncia com algum estardalhaço os pratos do dia para os clientes, muitos dos quais amigos, freqüentadores habituais, o que é mais um bom sinal. No serviço, ele conta com a ajuda eficiente de simpáticas moças.Ele é mesmo extrovertido e faz questão de abrir seu coração, de deixar bem claro de quem e do que gosta nas paredes do restaurante, que ostentam uma grande foto de seus pais e também distintivos do seu clube, o Milan, do qual é uma espécie de cônsul, e da Ferrari. Vito gostava de lembrar que ele é primo do atacante Simone, que brilhou em seu clube e depois na França.Vito Simone está festejando efusivamente o décimo aniversário de sua casa e faz questão de se dizer um "talibã da cozinha italiana tradicional". Na fachada, um letreiro garante que, sempre que possível, usa ingredientes importados da península, das massas aos queijos e tomates, passando pelos frios. Em muitos casos, uma garantia de qualidade e de autenticidade.Nos "cardápios" anunciados por Vito, normalmente duas ou três massas, risotos e dois "secondi", pratos com carnes e peixes, além das sobremesas. Todos os pratos custam R$ 20. Quem quiser ficar com meia massa e meio prato principal paga R$ 25. Não há carta de vinhos, mas Vito sempre escolhe alguns italianos que vende a R$ 9, o copo, e R$ 45, a garrafa. Vinhos que não são grandes, mas que acompanham corretamente os pratos.A cozinha continua agradando e muito. Alguns dos molhos das massas, ou parte deles, são preparados com antecedência e reunidos ou misturados às massas secas italianas na hora. Costumam agradar muito, como provou um delicioso espaguete com vôngole fresco. Molho simples, de vôngole no vinho branco, sem tomate.Vito faz seus risotos, mas também um arroz mole com molho de tomate e mexilhões que é mesmo muito saboroso. Faz questão de dizer que não se trata de um verdadeiro risoto.Quem tiver sorte, vai poder provar a deliciosa e aromática rabada que foi servida numa sexta-feira. Vito concede que a rabada aqui é melhor que na Itália, pois tem mais carne, uma vez que vem de um animal adulto e não de vitela. Em sua rabada, a carne vem molinha, quase soltando do osso, muito gostosa e com cheiro de especiarias (depois de cozida a carne, uma pitada de canela). Delicioso também o polpettone, que seria melhor definido como um bolo de carne de vitela, lombo de porco e mortadela, com queijo pecorino.São mesmo muitos os pratos que Vito vai fazendo de acordo com o mercado e sua inspiração, como língua, ossobuco, brasato ao vinho tinto, coelho ensopado com batata, dobradinha e as massas italianas de inúmeras maneiras, como all?amatriciana, pesto com tomate e azeitona, com molho de polvo, alcachofra e mascarpeone, etc., etc., etcIl Fornaio di Itália. Rua Manoel Guedes, 160, Itaim Bibi, tel. 3079-2473.

Agencia Estado,

24 de janeiro de 2003 | 11h08

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