Igreja destruída em incêndio vira centro cultural

Destruída por um incêndio em março de 1984, a Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha de Salvador - construída em 1722 e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1941 - vai ser recuperada, depois de anos de promessas. Um convênio assinado ontem, entre o Ministério da Cultura, a Arquidiocese, a Petrobrás e a prefeitura de Salvador, prevê a transformação das ruínas no Coliseu das Artes - Espaço Cultural da Barroquinha. Esse projeto havia sido sugerido na década de 80 pela arquiteta Lina Bo Bardi e aprovado pelo então cardeal-arcebispo, dom Lucas Moreira Neves.O projeto nunca saiu do papel por falta de verbas. Agora, a Petrobrás vai investir R$ 2 milhões na obra, que consolidará as paredes da igreja, recuperará a fachada original em estilo barroco (inspirada na Igreja de São Francisco de Salvador) e transformará a parte interna num centro de lazer com palcos para encenações teatrais e salas de exposições. Embora o arcebispo preferisse a reconstrução completa do templo e a reutilização como casa de orações, conformou-se com a idéia. Ele chegou a dizer que "a cultura é uma forma de glorificar a Deus". A previsão é a de que as obras sejam concluídas em dezembro de 2004.Cultura negra - A Igreja da Barroquinha tem importância histórica para a cultura negra baiana. Construída pela Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, formada por brancos, a igreja passou em 1764 a ser sede da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios, formada por escravos. Essa influência dos negros transformou a Igreja da Barroquinha no primeiro santuário do sincretismo religioso baiano. O incêndio de 1984, provocado provavelmente por um curto-circuito, destruiu os altares rococó e 17 imagens do século 18, incluindo uma de Nossa Senhora da Piedade, de valor inestimável. Além das paredes, apenas um sino e o revestimento de azulejos resistiram ao fogo.

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