Igreja da Pampulha vai ser restaurada

Considerada um marco da arquitetura moderna, a igreja de São Francisco de Assis, projetada por Oscar Niemeyer e mais conhecida como Igrejinha da Pampulha, passará por um processo de restauração. Um convênio para a recuperação do templo, baseado na Lei Federal de Incentivo à Cultura, foi assinado nesta quarta-feira entre a Arquidiocese de Belo Horizonte, prefeitura municipal, Petrobras e Fundação Roberto Marinho, com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ao todo, serão gastos R$ 1,8 milhão na reforma e revitalização da igreja, que abriga obras de artistas de renome, como painéis e azulejos de Cândido Portinari e jardins de Burle Marx. A situação da igreja, inaugurada em 1945 como parte do conjunto arquitetônico da Pampulha, é de abandono. A estrutura apresenta diversas rachaduras, infiltrações e descolamento das pastilhas que compõem o revestimento externo. As obras serão iniciadas em dezembro e a previsão é que em nove meses estejam concluídas. De acordo com o engenheiro José Eduardo de Aguiar, um dos responsáveis pelo diagnóstico dos problemas do templo, realizado em março, a abóbada de concreto apresenta falhas desde quando foi inaugurada. A igrejinha ganhará também um roteiro narrado com trilha musical, que irá abordar temas como história, cultura e religião, destacando a arquitetura de Niemeyer e as obras de Portinari. O projeto prevê ainda a implantação de sinalização turística e cultural no local, com o objetivo de integrar o conjunto arquitetônico da orla da Lagoa da Pampulha, composto por outras construções assinadas pelo arquiteto modernista.A Arquidiocese de Belo Horizonte demorou 14 anos para consagrar a igreja. Há quem diga que a Igreja Católica achou o prédio muito moderno para seus padrões. Outraversão dá conta de que a recusa deveu-se à posição política de Niemeyer, comunista histórico. Convidado por Kubitschek para projetar o conjunto da Pampulha, Niemeyer se inspirou nos contornos das montanhas mineiras para criar as curvas do templo. Portinari pintou em uma imensa tela um São Francisco irrealista e de mãos desproporcionais, tendo ao lado um cão vira-lata. A sagração só ocorreu em abril de 1959.

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