Iggor Cavalera

Iggor Cavalera

ELE JÁ RODOU O MUNDO COM O SEPULTURA, LANÇOU GRIFE COM SEU SOBRENOME E AGORA, COM SUA MULHER LAIMA, AVENTURA-SE PELA MÚSICA ELETRÔNICA

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

A pergunta é óbvia, mas não quer calar: como você passou de baterista do Sepultura a DJ?

Foi algo totalmente não planejado. Sentia que no Sepultura já não tinha mais desafios. Estava seguro demais. E meu irmão Max (que fundou com Iggor o Sepultura, em 1984) dizia que no dia em que o pai e o moleque ficassem satisfeitos com o show da gente é porque alguma coisa estava errada. Ao mesmo tempo, amigos começaram a me convidar para tocar na noite (como no Milo Garage) por diversão. E a Laima (Leyton, mulher e hoje parceira no duo Mixhell), que é superligada na música eletrônica, começou a me dar dicas até que tocamos juntos em um Dia dos Namorados. A coisa foi tomando corpo e hoje virou trabalho. Acabamos uma turnê pela Europa e esta semana já começamos outra.

Agora, como DJ, você pode deixar tanto pai quanto filho insatisfeitos. Não ocorre de fã do metal reclamar que você bandeou para o electro e fã do electro criticar um "metaleiro DJ"?

Acontece o tempo todo! Mas meu lance, que vem da época do Sepultura, sempre foi romper barreiras. Não há nada melhor que aprender sempre e poder se aventurar em algo que não é seguro. Eu podia ter ficado o resto da vida no Sepultura, mas não tinha mais desafio.

O que é mais desafiante? Desbravar o mundo do metal com o Sepultura, aprender a ser DJ de electro ou criar cinco filhos?

Difícil responder. Nosso maior orgulho com o Sepultura foi mostrar ao mundo que existe rock, e do bom, no Brasil. Agora com o Mixhell está sendo uma delícia estudar, fazer pesquisas de som, brincar com os bits, colocar muito groove no nosso som, mixar músicas de amigos, que depois vão mixar nossas músicas. Mas tenho de admitir que não há nada mais lindo no mundo do que um almoço com a Laima e meus filhos.

Por falar em família, sua mãe deve ter ficado muito feliz quando você e Max voltaram a se ver e a tocar juntos.

Claro! Ela ficou mesmo triste nos anos em que ficamos longe (Max rompeu com o Sepultura em 1996 e ficou dez anos sem ver o irmão). Mas foi lindo voltar a tocar com o Max (em 2006). E vai ser lindo voltar ao estúdio, em abril, em Los Angeles, onde vamos gravar o novo disco do Cavalera Conspiracy.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.