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Idealismo e bons sentimentos. E o resultado é médio

Van Sant mostra que os grandes nem sempre acertam

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2013 | 02h23

Havia muita expectativa em Berlim, em fevereiro, pela nova parceria entre o ator e roteirista Matt Damon e o diretor Gus Van Sant. Em 1997, Damon e Ben Affleck escreveram e interpretaram Gênio Indomável, que Gus dirigiu - e a dupla de atores recebeu o Oscar de roteiro, o primeiro de Ben, antes da recente consagração de Argo. Damon agora coescreve com John Krasinski e ambos atuam na história do 'salesman' que chega a uma pequena cidade e tenta convencer os habitantes a venderem para uma grande empresa de exploração de petróleo os direitos de prospecção do gás natural sob suas terras.

Basta isso para que você adivinhe o resto - na entrevista, o próprio Gus Van Sant fala sobre o desafio que representam certos roteiros tradicionais que lhe são oferecidos, e ele aceita fazer. É um diretor que tem experimentado e ousado, mas também parece um tanto esquizofrênico. Ele refez Psicose, de Alfred Hitchcock, tentando repetir, plano a plano e com o mesmo timing, um dos filmes mais influentes do cinema. Alternou narrativas 'desconstruídas' - Paranoid Park - com outras lineares - Encontrando Forrester. Vive se testando, e o teste muitas vezes é sobre o que conseguirá alcançar no chamado 'cinemão'.

Se você não acha que Matt Damon - o personagem - vai passar por uma experiência transformadora, é porque não entende nada de Hollywood. Terra Prometida utiliza-se de uma dobradinha difícil - sentimentos e idealismo podem rimar, mas também se arriscam a produzir xaropadas bem-intencionadas. Na entrevista, Van Sant confirma que Frank Capra foi seu modelo. Só isso já basta para que meio mundo veja seu novo filme com suspeita. Capra, a despeito de seus 'ismos', foi um entertainer, mas não é um diretor que a crítica tenha em grande conta. Terra Prometida, que sai só em DVD no País, promete mais que cumpre.

 

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