<i>Carro de Paulista </i> traz manos da ZL de volta ao palco

Os mano da ZL tão de volta. Quem ainda não conseguiu assistir à comédia Carro de Paulista, não pode perder a chance de conferi-la apenas às quintas e sextas-feiras no Teatro Ruth Escobar. Reestréia hoje o espetáculo que já levou cerca de 20 mil pessoas às gargalhadas. Pedrão (Carlos Baldim), Raio de Sol (Davi Campos), Jorginho (Edgard Jordão) e Júnior (Fabio Neppo) são quatro amigos moradores da zona leste da capital que pegam um carro emprestado e partem para a zona sul para ?azarar? as gatinhas dos Jardins - bairro que eles nem sabem direito onde é que fica. ?Eles chegam lá, mas não conseguem entender os códigos e a linguagem?, conta Mário Viana, que com Alexandre Marson assina o texto. Além dos quatro rapazes, o elenco também conta com a participação de Aline Abovsky, que interpreta três personagens: a hostess, a mina da balada para onde eles se dirigem e a prostituta. ?Já levamos o espetáculo para outras cidades fora de São Paulo e existe uma identificação muito grande com a situação em que os personagens se encontram. Toda cidade tem uma Rua Augusta, por exemplo?, diz Viana. O autor também percebe que existe uma identificação maior entre homens na platéia. ?É uma peça masculina. Dentro do carro, os personagens estão à vontade para conversar sobre todo o seu universo.? Mas Viana também nota a curiosidade que Carro de Paulista desperta nas mulheres. ?Uma amiga me disse que agora sabe o que os filhos delas fazem quando saem à noite?, diverte-se. O texto foi escrito em 2001, mas ficou guardado durante um tempo, depois foi modificado algumas tantas vezes. Viana estava receoso em estreá-lo. ?Tinha medo de parecer preconceituoso, mas com a leitura inicial que fizemos e a direção de Jairo Mattos percebemos que a situação que retratamos no palco nada mais é do que um ritual de passagem pelo qual muitos jovens passam?, diz o autor morador da zona norte. O cenário é basicamente composto por ?um carro? construído em madeira. Viana lembra que o elenco e a produção desembolsaram cerca de R$ 800 para conseguirem dar o pontapé inicial ao projeto, arcando com os custos da montagem. ?Até hoje nunca tivemos nenhum tipo de patrocínio, apenas apoios culturais?, conta. Mário Viana foi jornalista durante 20 anos e a profissão lhe rendeu um olhar aguçado para os fatos cotidianos vivenciados na metrópole. ?Às vezes estou no cinema e qualquer cochicho já me chama a atenção. Ouço frases e expressões ótimas diariamente e corro para anotar.? Carro de Paulista já rodou os 21 CEUs da região metropolitana e ainda este ano deve passar pelos teatros municipais da Prefeitura de São Paulo. ?As pessoas querem rir e existe uma identificação com a contemporaneidade do texto?, opina. Carro de Paulista. 60 min. 14 anos. Teatro Ruth Escobar - Sala Gil Vicente (317 lug.). R. dos Ingleses, 209, Bela Vista, 3289-2358, metrô Brigadeiro. 5.ª e 6.ª, 21h. R$ 20. Até 3/3. Reestréia hoje(19)

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