<i>BR3</i> sai consagrada do Prêmio Shell de Teatro de SP

A pesquisadora Maria Teresa Vargasconheceu a amiga Cleide Yáconis na época em que a atriz prestavavestibular para medicina e quando ainda nem imaginava um diaconsagrar-se nos palcos. "Ela acabou trocando o estudo doscorpos pelo das almas", sintetizou a estudiosa ao prestar suahomenagem à atriz, na segunda-feira, 12, na cerimônia de entrega da 19.ªedição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. Ao receber omaciço troféu, Cleide, como de costume muito bem-humorada,exclamou: "Ainda bem que eu faço musculação." Arrancougargalhadas do público. A atriz de 83 anos , que esteve em cartaz até o fim doano passado com o espetáculo A Louca de Chaillot, foi ahomenageada desta edição do prêmio (existente desde 1988) porsua contribuição ao teatro brasileiro. Débora Duboc,visivelmente emocionada, também subiu ao palco para agradecer àatriz que a ensinou que "o teatro é a síntese da humanidade"."Apesar de tudo o que possa ter feito, nada se compara com o queo teatro fez comigo. É a única profissão do mundo em que a gentebrinca. O teatro tem me ajudado a viver", disse Cleide em seudiscurso de agradecimento, aplaudida freneticamente. A cerimônia ocorrida no Espaço Araguari, no JardimEuropa, contou com a presença de atores, produtores e técnicos,integrantes e torcedores do chamado teatro ?alternativo?. Ojornalista e dramaturgo Sérgio Roveri, vencedor na categoriamelhor autor pelo texto da peça Abre as Asas sobre Nós, fez umagradecimento especial aos jurados. "Sem demagogia, me deu umaalegria grande saber que o júri está antenado com a históriarecente do teatro paulista." Marat Descartes, que levou o prêmio de melhorator por sua atuação no espetáculo Primeiro Amor, que continuaem cartaz no Espaço dos Satyros 2, também enfatizou o olharatento dos jurados para o teatro alternativo. "Não podemosesquecer de parabenizar o Rodolfo (García Vázquez, um dosfundadores do grupo e do Espaço dos Satyros), que realizou essemovimento maravilhoso na Praça Roosevelt." Georgette Fadel, atriz premiada por Gota D?Água -Breviário, aproveitou o seu momento para pedir por "políticaspúblicas mais sólidas e inteligentes". "Não podemos deixar que aexpansão do teatro fique condicionada a partidos políticos ou aomarketing das empresas", cutucou. A atriz que interpretou Joanana peça livremente adaptada a partir da obra de Chico Buarquerelembrou a associação criada em 2004, Redemoinho, que buscaespaços para criação, intercâmbio e pesquisa de companhiasteatrais, além de propor como ação imediata a aprovação doProjeto de Lei Federal Prêmio de Fomento ao Teatro Brasileiro. ARedemoinho não reconhece a Lei Rouanet como uma política públicapara a cultura, "uma vez que ela é privatizante, antidemocráticae excludente". O diretor Antônio Araújo, idealizador do projeto BR3,subiu ao palco duas vezes - prêmios de melhor direção ecategoria especial - e endossou a crítica de Georgette. "Omomento é de união. O melhor prêmio que a gente pode ter, noentanto, é poder botar o barco de volta ao rio." O espetáculoque tinha como cenário as margens do Rio Tietê teve de sersuspenso por problemas financeiros. BR3, que apresenta históriasde personagens de Brasília (DF), Brasiléia (Acre) e Brasilândia(bairro de São Paulo), também ganhou o prêmio de melhoriluminação para Guilherme Bonfanti.Confira os premiados da noite:Autor: Sérgio Roveri, por Abre as Asas sobre Nós Diretor: Antônio Araújo por BR3 Ator: Marat Descartes por Primeiro Amor Atriz: Georgette Fadel por Gota D?Água - Breviário Cenário: Cia. Triptal por Rumo à Cardiff Figurino: Juliana Fernandes por A Pedra do Reino Iluminação: Guilherme Bonfanti por BR3 Música: Eugenio Lima por Frátria Amada Categoria especial: Teatro da Vertigem por BR3

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