Ianomâmis são cartaz de exposição em Paris

Uma exposição em Paris reuniu 12 artistas, três brasileiros, em torno dos índios ianomâmis. A mostra Yanomami: O Espírito da Floresta estreou no último sábado na Fundação Cartier de Arte Contemporânea e, segundo o New York Times, tem o mérito de não ser um "show etnográfico", e sim uma tentativa de explorar os paralelos entre o imaginário daqueles índios e artistas contemporâneos.Dos 12 artistas, cinco foram à Amazônia para um contato direto com os ianomâmis no ano passado. Outros quatro apresentam filmes ou fotos com registros dos índios em anos anteriores. Os três restantes produziram obras com o material que os colegas lhes trouxeram da Amazônia. O resultado é uma visão estrangeira sobre os índios que respeitou suas tradições e costumes.Os trabalhos in loco foram todos realizados na comunidade Watoriki, localizada na fronteira do Brasil com a Venezuela. Ao todo, a comunidade tem 12.500 índios, segundo a Fundação Cartier, e se estende pelos Estados do Amazonas e Roraima. Davi Kopenawa, um índio que faz as vezes de porta-voz dos ianomâmis, viajou para Paris e participou da abertura da exposição. E, segundo o New York Times, aprovou.Kopenawa fez um discurso em português na Fundação Cartier em que não se furtou a apontar as dívidas que gerações de homens brancos têm para com os índios da América do Sul. "Nós poderíamos desaparecer que vocês nem notariam. É por isso que se continuarmos esquecidos por vocês como tartarugas no solo da floresta, vamos sofrer", disse. Depois de criticar, Kopenawa elogiou a exposição: "As pessoas que virem esta exposição podem nos entender melhor e dizer ?Sim, os ianomâmis sempre protegeram sua floresta?".Há fotos, esculturas, vídeos e instalações em Yanomami: O Espírito da Floresta. Boa parte das obras enfoca os curandeiros da tribo, que no caso dos ianomâmis de Watoriki, são 11 pessoas responsáveis por cuidar da floresta além de curar os doentes. Dos artistas brasileiros presentes na mostra, Claudia Andujar mostra fotos em preto e branco dos índios, Rogério Duarte do Pateo leva registros fotográficos de sua pesquisa antropológica pela USP, e Adriana Varejão leva desenhos e esculturas.A exposição está surtindo um efeito talvez desconhecido para os franceses que a vêem e o americano que a cobriu para o NYT: tanto o jornal quanto o site da mostra mostram espanto pela capacidade de resistência dos ianomâmis. Os índios enfrentaram missionários cristãos, mineiros e garimpeiros até que o governo brasileiro, tardiamente, demarcou uma reserva para a tribo, em 1992.

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