Humor na selva

Discovery expõe divergências entre militar e sertanista por sobrevivência

CRISTINA PADIGLIONE, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h10

Esqueça os jargões explorados à exaustão em reality shows que propõem mostrar as dificuldades de sobrevivência na selva. Desafio em Dose Dupla, produção nacional da Mixer que o Discovery põe no ar terça-feira, às 21 horas, não prevê disputa para prêmio nem transforma diferenças em pugilato. Ao contrário. Juntos, um militar (o coronel cearense da Força Aérea Edmilson Leite Guimarães Filho, 50 anos), o Leite, e um especialista em técnicas indígenas (o mineiro Leonardo Marques Rocha, 36 anos), o Léo, mostrarão como os meios de sobrevivência podem ser distintos, de acordo com as crenças e estilo de vida de cada um.

Em seis episódios, o par passará por Pantanal, Serra da Capivara, Jalapão, Aparados da Serra (Brasil), Chiloé (Chile) e Patagônia (Argentina).

Baseado em formato criado nos Estados Unidos, Desafio em Dose Dupla não é programa de humor, mas provocou risos numa sessão realizada pelo canal para jornalistas e produtores.

Em pleno Pantanal, Leite sugere que os dois matem um jacaré para matar a própria fome. Léo é contra. Diz que pode se virar com frutas e não compactua da ideia. Além disso, ficará cheirando à morte e poderá atrair a ira de outros animais, como aprendeu aos 11 anos de idade, quando passou seis meses com uma tribo no Xingu. Leite leva a ideia a cabo sozinho. Tira a pele do bicho e, apesar da contrariedade do colega, é ajudado por ele no "forno" moldado de um cupinzeiro, para assar o réptil.

Além de dispensar competição, o reality é útil ao conhecimento do espectador ao fornecer detalhes sobre as propriedades do cupinzeiro no quesito temperatura e sobre a concentração de proteínas do jacaré na cauda. Em tempo: o bichinho foi abatido, segundo a equipe, com aval do Ibama, que permite atos do gênero em casos de sobrevivência.

Leite e Léo formam uma dupla que faz todo o encanto da edição. As divergências entre ambos são mais marcadas pelas pausas, que a edição soube prezar, do que por discussões acaloradas. Para Carla Ponte, responsável pelas coproduções do grupo Discovery no Brasil, a versão nacional ficou de acordo com o temperamento do brasileiro. O original, nos EUA, emana mais tensão e menos humor.

Se a química entre os protagonistas é fator essencial no resultado, o diretor da série, Rodrigo Astiz, da Mixer, vai logo contando que não foi fácil chegar aos dois nomes. "Além de buscar personagens com os perfis em questão, eu precisava que os dois tivessem empatia juntos", conta.

Durante a jornada de perrengues, jacarés, sede e fome, a equipe tentou ser solidária à dupla de protagonistas, sem cometer extravagâncias fora do alcance dos dois. Até porque, nas locações onde gravaram, fartura e conforto eram itens em falta.

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