Humor em cima do erro dos outros

No reality 'Bad Ink', tatuadores tiram sarro ao cobrir e modificar desenhos no corpo de desconhecidos de Las Vegas

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2014 | 02h10

Em Las Vegas, terra do impulso seguido por arrependimento, parte dos problemas tem solução. De olho em quem apostou mais do que deveria no cassino, bebeu todas e fez aquela tatuagem que não ficou tão boa assim, a dupla de tatuadores Dirk Vermin e Rob Ruckus circula pela cidade em busca de desconhecidos que querem dar um jeito nos desenhos mal feitos no próprio corpo. Porém, com uma dose de sarcasmo, como mostra o reality Bad Ink, previsto para estrear no canal A&E no dia 10 de março.

"Vai muita gente de ressaca lá na loja", conta Dirk. Ele e o parceiro são especialistas em cobrir ou transformar tatuagens de gosto duvidoso. Ao se deparar com os desenhos estranhos dos clientes, os dois tiram sarro. Ele garante pegar leve. "Eu não rio, para não deprimir a pessoa", disse Dirk ao Estado por telefone em teleconferência com jornalistas da América Latina. Entretanto, no primeiro episódio, o norte-americano não contém as gargalhadas ao ver que uma jovem tatuou um escorpião segurando a cabeça da atriz Pamela Anderson.

Dirk explica que faz a provocações de propósito. "Quero ver a reação das pessoas, pois trata-se de um programa de televisão", conta. Além das indicações de clientes que recebe em seu estúdio, ele e Ruckus abordam desconhecidos nas ruas ao perceberem que as pessoas têm jeito de quem tem uma tatuagem feia. Segundo ele, ninguém se assustou com a aproximação estranha até hoje. "Ninguém quis me matar ainda."

O profissional afirma que esse é o diferencial do Bad Ink, que não é o precursor em atrações que mostram experiências ruins. "Nós temos humor e estamos em Las Vegas. E eu sou mais bonito que qualquer um que esteja naqueles programas", debocha, com 20 anos de profissão e o boa parte do corpo coberta por desenhos - um deles demorou 35 horas para ser concluído. Ele jura nunca ter reparado ou transformado suas tatuagens. "Eu não me arrependo de nenhuma, gosto de todas as minhas tatuagens."

O que deixou Dirk encabulado foi o convite do A&E para ter o cotidiano acompanhado por câmeras. "Eu resisti no começo, não gostava da fama. É estranho, você fica vulnerável ao ter a vida na televisão. Mas agora temos muitos fãs", avalia ele, no ar na segunda temporada do reality, nos EUA. Ao aceitar expor a vida, ele também liberou a imagem das duas filhas, ainda crianças, que aparecem constantemente na atração. "Elas são boas meninas, adoram seus professores. São melhores do que eu imaginava. Falei que, se elas quiserem, vão poder fazer uma tatuagem quando estiverem terminando a escola."

Dono de um estúdio de tatuagem desde 1997, Dirk não é humilde em relação ao seu trabalho. "Não faço coisas que as pessoas não vão gostar", sentencia. Em relação ao que vê, ele não sabe definir a tatuagem mais desastrosa. "Tenho várias piores tatuagens. A cada semana me surpreendo."

Além de melhorar desenhos feios, o profissional também cobre cicatrizes. "Faço muitas em mulheres que tiveram câncer de mama", conta. Fã dos tatuadores de São Paulo, onde já esteve, ele aconselha desenhos feitos por impulso. "É ruim ter uma que representou algo no passado e agora já se foi."

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