HQ revisita a Hollywood dos anos 20

O desenhista italiano Ivo Milazzo nunca escondeu sua paixão pelo cinema. As referências aos westerns americanos nas histórias de seu personagem mais famoso, Ken Parker, foram muitas. Parker, aliás, nasceu inspirado em Robert Redford no filme Mais Forte Que a Vingança. Agora, o próprio cinema serve de pano de fundo para mais uma HQ feita por Milazzo.Marvin - O Caso de Marion Colman (Ed. Opera Graphica, 48 págs., R$ 8,90) sai no Brasil em um álbum 21 cm x 28 cm caprichado com uma trama que se passa na Hollywood do fim dos anos 20. Milazzo, de 54 anos, mais uma vez se uniu a Giancarlo Berardi, responsável pelas histórias de Ken Parker, para a criação desse policial noir. É Berardi o culpado pelas inúmeras referências a filmes, diretores, atores e músicos - ele também é violonista - que aparecem nesta HQ. Há de Gary Cooper e Eve Brent no romance Beau Sabreur, a Louis Armstrong se apresentando num tal King´s Club. "É difícil fazer bem duas coisas ao mesmo tempo. Prefiro apenas desenhar. Uma vez escrevi três histórias, quando terminei estava cansado demais para desenhá-las", explica Milazzo a respeito de sua parceria de longa data com Berardi. O desenhista está no Brasil para o lançamento de Marvin neste sábado, às 13 h, na Comix Book Shop (Al. Jaú, 1.998, tel.: 3088-9116). A HQ começa com uma espécie de homenagem a Ken Parker, com um caubói salvando a mocinha em um filme mudo. O enredo de Marvin é sobre um ex-ator que se torna detetive particular no período em Hollywood descobria os filmes falados, em 1927. Marvin tenta sobreviver ao início da depressão americana. É um tipo que lembra até o ator James Stewart, mas está mais para os personagens de Humphrey Bogart. Como quando uma mocinha lhe diz estar fazendo aniversário, e ele responde "Acontece, não tem do que se preocupar". Marvin está atrás de Marion, uma caipirinha americana que tentou a carreira de atriz em Hollywood e desapareceu. Como todo thriller policial que se preza, este tem uma boa reviravolta na trama. A arte é um caso à parte. O álbum é todo em meio tom, a aquarela feita por Milazzo se destaca no contraste claro-escuro. É uma HQ, mas pode chamar de clássico, assim como muitos dos filmes homenageados na trama.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2001 | 11h54

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