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'Hotel Transilvânia' estreia nos cinemas

Genddy Tartakovsky, diretor de 'As Meninas Superpoderosas', fala sobre o seu primeiro longa

JOTABÊ MEDEIROS - O Estado de S.Paulo,

05 Outubro 2012 | 03h10

O animador americano Genddy Tartakovsky, com O Laboratório de Dexter e As Meninas Superpoderosas, mudou os rumos da animação na TV sem mudar substancialmente as regras dessa indústria. Concorreu a 13 prêmios Emmy, ganhou três deles.

Agora, em sua estreia no cinema, ele se arrisca num território super explorado: o mundo dos vampiros e monstros clássicos no seu primeiro longa, Hotel Transilvânia (em 3D). "Nunca fui grande fã dos monstros. Colecionei alguns gibis do Frankenstein, mas hoje em dia só me chama mais a atenção o fascínio dos vampiros pelo tema do amor. Drácula é um romântico. Essa é a parte dele que me interessou", disse Tartakovsky, falando ao Estado por telefone, há alguns dias.

Hotel Transilvânia conta a seguinte história: no final do século 19, Drácula investe suas economias num grande castelo secreto, um resort para receber amigos que são frequentemente perseguidos pelos seres humanos como freaks, monstros. Chapas como Lobisomem, A Múmia, Frankenstein, O Homem Invisível e suas barulhentas famílias. Na super-pousada também é onde vai ser comemorado o aniversário de 118 anos de Mavis, a filha do Drácula, uma adolescente romântica comum que é criada em isolamento e sonha conhecer o mundo.

Para conseguir dar um ponto certo a essa comédia, Tartakovsky conta que viu uma pilha de comédias sobre o Príncipe das Trevas e outros monstros, como o Frankenstein de Mel Brooks. "De todas, a que eu mais gosto é Amor à Primeira Mordida. É meu filme favorito", ele conta. É uma comédia de 1979, dirigida por Stan Dragoti, com George Hamilton, que mostra Drácula tentando se estabelecer em Nova York e vivendo as agruras da vida cotidiana em meio aos humanos.

Hotel Transilvânia é o contrário: mostra como a chegada de um simples humano folgado, o tagarela Jonathan (um desses jovens globalizados que vive a vida pelo mundo em hostels e com uma mochila nas costas), pode mudar a rotina dos monstros. Claro: o rapaz sem noção traz consigo todos os signos da cultura exportável norte-americana: o R&B, o hip-hop, os videogames, a ética Punk'd do mundo.

Os funcionários do resort são zumbis controlados por Drácula, e isso é engraçado. Chefs franceses podem ser canibais. Piadas sobre a vida conjugal dos monstros, sobre seus egos, suas manias de economia (Frankenstein despacha a si mesmo e à mulher, em pedaços, via Sedex, para economizar), tudo é motivo para rir.

Tartakovsky diz que sua contribuição está no "exagero" que imprime a cada personagem. "Meu estilo é irrealista, é sempre contar a história de um ponto de vista único, insólito", afirma. "Fiz TV durante muito tempo, e tudo é muito rápido na TV, o desenho se consome muito rápido. Achei que um filme permitiria que eu contasse as coisas de forma mais detalhada. E essa oportunidade apareceu", diz.

Não só a oportunidade, mas também os recursos. A voz de Drácula é do comediante Adam Sandler, um tipo de anti-Bela Lugosi, como ressalta o diretor. "Ele leva as comédias a sério. Levou Drácula para um lado que ninguém conhecia, exacerbando o que há de engraçado no personagem", analisa. Steve Buscemi faz a voz do Lobisomem. O cantor Cee Lo Green assumiu a voz da Múmia. Selena Gomez encarna a adolescente Mavis, filha do Drácula.

Tartakovsky conta que viu Rio, do brasileiro Carlos Saldanha, e que achou "OK". Mas ressalta que "não é esse meu tipo de animação". Seu esforço, diz, é "usar a tecnologia para valorizar o texto", e não o contrário.

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